Fitch: multa da Concorrência aos bancos pode dificultar resultados

“No total, os 225 milhões de euros em multas contariam menos de 20% dos lucros do setor de 2018”, disse a agência de notação. Ainda assim, e apesar dos progressos registados pela banca nacional recentemente, a Fitch considera que os bancos poderão melhorar em áreas de governança.

Cristina Bernardo

A agência de notação norte-americana Fitch alertou que a multa no valor de 225 milhões de euros imposta pela Autoridade da Concorrência (AdC) aos a 14 bancos por terem levado a cabo práticas anti-concorrencias poderá prejudicar os resultados das instituições financeiras visadas, “embora sem impacto no capital ou ratings“.

Numa nota enviada às redações, a Fitch explicou que, apesar dos recursos à condenação da AdC que serão interpostos pelos bancos, mesmo que sejam condenados ao pagamento da multa na sua totalidade, “as coimas seriam um golpe modesto nos resultados na maior parte dos casos”.

“No total, os 225 milhões de euros em multas contariam menos de 20% dos lucros do setor de 2018”, disse a agência de notação.

Para determinação do valor da coima, a Concorrência utilizou como critérios a duração e a seriedade das práticas anti-concorrenciais, não tendo imposto o limite máximo de 10% da faturação.

Para os casos da Caixa Geral de Depósitos, do Millennium bcp, do Santanter Totta e do BPI – os bancos que tiveram, por esta ordem, as quatro multas mais elevadas – a Fitch explicou que as coimas a pagar representariam entre 15% a 35% dos lucros registados nos primeiros seis meses de 2019.

A Concorrência multou o banco do Estado em 82 milhões, seguindo-se o BCP a ser condenado a pagar 60 milhões. Já o Santander levou uma multa de 35 milhões, enquanto o BPI foi multado em 30 milhões.

Já o caso do Banco Montepio, multado em 13 milhões, a Fitch alertou que multa teria proporcionalmente “maior impacto devido aos lucros de apenas 6,5 milhões registados no primeiro trimestre de 2019”. Ainda assim, a agência de notação não antecipa que os rácios de solvabilidade do banco sejam afetados.

No entanto, a Fitch disse que poderão colocar pressões nos lucros do setor, “que se encontra sob pressão devido às baixas taxas de juro, reduzida procura por crédito e maior concorrência por bons clientes”.

A Fitch considera que “não é claro” se a atuação da Concorrência “anuncia uma atitude mais proativas em relação ao risco”.

“Maiores custos, tal como foi observado na Europa, seriam negativos para os resultados mas iriam incentivar os bancos portugueses a melhorar os standards de governança corporativa (corporate governance) e colocá-los ao nível da banca internacional. Consideramos que ainda há espaço para melhorar a governança corporativa, apesar dos progressos dos últimos anos”, concluiu a Fitch.

Na segunda-feira 9 de setembro, a Concorrência multou 14 bancos em 225 milhões de euros por terem participado num esquema de prática concertada de troca de informação sensível sobre banca de retalho, nomeadamente sobre crédito a habitação e crédito ao consumo.

Entre os bancos multados, sabe-se que vão apresentar recurso a CGD, o BCP, o Santander, o BPI, o Banco Montepio, o BBVA e o BES “mau”.

PremiumBancos não vão fazer provisões para as multas da AdC

 

(atuliazada às 18h27)

Relacionadas

Multas da Concorrência aos bancos vão dos mil euros aos 82 milhões de euros

A CGD, o BCP, o Santander e o BPI representam mais de 90% da multa histórica de 225 milhões de euros aplicada pela Concorrência a 14 bancos. O banco público, multado em 82 milhões, teve a coima de maior valor. No pólo oposto encontra-se o Banif, com uma multa de mil euros.
Recomendadas

Abanca. “Não deixaremos de olhar para absolutamente nenhuma” oportunidade em Portugal

O banco espanhol obteve lucros de 323,3 milhões de euros em 2021, “um exercício marcado pela melhoria da rentabilidade estrutural e resultados alcançados em matéria de sustentabilidade” num contexto de grande complexidade devido à pandemia, indicou hoje o presidente do banco, Juan Escotet Rodríguez, ao apresentar os resultados da entidade. O Abanca, que tem presença […]

Grupo Santander com lucros de 8,124 mil milhões em 2021 depois de prejuízos

O grupo espanhol Santander fechou 2021 com lucros de 8.124 milhões de euros depois de em 2020 ter apresentado um prejuízo de 8.771 milhões provocado principalmente pelo aumento das dotações para enfrentar a pandemia de covid-19.

DECO afirma que “ajudou” consumidores com créditos bancários a pouparem 15,6 milhões de euros em comissões

Apesar da lei o proibir desde 2021, a DECO alerta que ainda existiam 5,1 milhões de contratos comprometidos ao pagamento de comissões, o que se traduzia num encaixe total de 119,3 milhões de euros em comissões cobradas por parte dos bancos.
Comentários