FMI critica planos fiscais do governo do Reino Unido

O Fundo Monetário admite entender que “o pacote visa impulsionar o crescimento”, mas alertou que os cortes podem acelerar o ritmo dos aumentos de preços.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou o governo do Reino Unido pelo plano de cortes de impostos, alertando que as medidas provavelmente vão alimentar a crise no custo de vida.

Numa declaração, citada pela “BBC”, o FMI disse que a proposta provavelmente vai aumentar a desigualdade e aumentar as pressões sob os preço. A instituição admite entender que “o pacote visa impulsionar o crescimento”, mas alertou que os cortes podem acelerar o ritmo dos aumentos de preços, que o banco central britânico está a tentar reduzir.

Os mercados já lançaram alertas sobre os planos, fazendo com que a libra entrasse em queda. Na manhã de quarta-feira, a libra esterlina caiu 0,7%, para 1,06 libras, depois de o FMI levantar as suas preocupações, e depois da moeda ter atingido um nível baixo recorde na segunda-feira.

As declarações do FMI não caíram bem a todos e Lord Frost, ex-ministro do Brexit e aliado próximo da primeira-ministra Liz Truss, criticou a declaração. “O FMI tem defendido consistentemente políticas económicas altamente convencionais. É seguindo essa abordagem que produziu anos de crescimento lento e produtividade fraca”, frisou. “O único caminho a seguir para o Reino Unido são impostos mais baixos, contenção de gastos e uma reforma económica significativa”.

Por sua vez, o editor de economia da “BBC”, Faisal Islam, defende que a “repreensão do FMI reflete preocupações semelhantes dos principais ministérios das finanças do mundo de que uma crise que se forma no Reino Unido poderá transformar-se numa desaceleração global”.

Por outro lado, Adnan Mazarei, ex-vice-diretor do FMI, disse que é comum que a fundação faça declarações fortes sobre “países de mercados emergentes com políticas problemáticas, mas não com frequência países do G7”.

A avaliação “mostra que o FMI está preocupado que os cortes de impostos sejam permanentes e que o orçamento tenha que ser financiado por mais empréstimos”, continua. Além disso, o FMI também demonstra estar “preocupado com o aumento da inflação, o que exigiria aumentos das taxas de juros pelo Banco da Inglaterra”.

Na sexta-feira, o chanceler Kwasi Kwarteng apresentou o maior pacote fiscal do país dos últimos 50 anos. No entanto, o corte de 45 mil milhões de libras provocou receios de que os empréstimos do governo possam aumentar a par com as taxas de juros.

A 23 de novembro, Kwarteng deve publicar o plano de médio prazo para a economia, que inclui garantir que a dívida do Reino Unido reduza como parcela da produção económica no médio prazo.

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