FMI diz que consumidores devem pagar preços mais altos para incentivar a economia de energia

O FMI diz que os governos “devem permitir que o aumento total dos custos dos combustíveis passem para os utilizadores finais para incentivar a economia de energia e a substituição dos combustíveis fósseis”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou os governos europeus contra a intervenção no agravamento da crise energética com amplo apoio financeiro, argumentando que os consumidores devem arcar com o peso dos preços mais altos para incentivar a economia de energia e ajudar numa transição mais ampla para a energia verde.

“Os governos não podem evitar a perda da renda nacional real decorrente do choque dos termos de troca. Devem permitir que o aumento total dos custos dos combustíveis passem para os utilizadores finais para incentivar a economia de energia e a substituição dos combustíveis fósseis”, apontou o FMI citado pela “CNBC”.

Até agora, os responsáveis pelas políticas europeias introduziram amplos controlos de preços, subsídios e cortes de impostos para amenizar o golpe dos crescentes custos de energia, que aumentaram em todo o continente após a guerra da Rússia na Ucrânia.

No entanto, o instituto com sede em Washington alertou que esse apoio abrangente era míope e que iria custar a alguns governos cerca de 1,5% do produto interno bruto este ano.

Em vez disso, o FMI sugere que os os líderes europeus “mudem decisivamente de medidas amplas para políticas de alívio direcionadas”, apoiando especificamente as famílias mais pobres que são mais vulneráveis ​​a preços mais altos, mas menos capazes de lidar com eles.

Compensar totalmente o aumento do custo de vida para os 20% das famílias mais pobres custaria aos governos uma média comparativamente menor de 0,4% do PIB para todo o ano de 2022, apontou o FMI.

Os comentários do FMI ocorrem num momento em que os países europeus lutam por arranjar formas de reduzir o consumo de energia e a dependência do petróleo e gás russos.

A Espanha, por exemplo, anunciou na terça-feira novas medidas de economia de energia, incluindo limites no ar condicionado e temperaturas de aquecimento em áreas públicas. Em Portugal, o Governo estuda restrições a gastos de energia em centros comerciais.

Enquanto isso, os gigantes da energia continuam a colher os benefícios dos preços mais altos, com a BP a revelar na terça-feira o seu maior lucro trimestral em 14 anos. A BP fechou o segundo trimestre do ano com um lucro ajustado de 8,5 mil milhões de dólares. Por sua vez, a Galpo registou lucros de 420 milhões.

Na quarta-feira, secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, criticou as empresas de petróleo e gás na quarta-feira pelo aparente lucro com a crise de energia. “É imoral que as empresas de petróleo e gás obtenham lucros recordes com essa crise de energia às custas das pessoas e comunidades mais pobres”, disse Guterres.

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