FMI revê crescimento mundial em baixa e deixa avisos para a zona euro

O impacto da invasão da Ucrânia levou o FMI a rever em baixa o crescimento este ano e no próximo, com as generalidade das economias mais desenvolvidas a sofrerem com a subida de preços e o apertar das condições financeiras.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou o crescimento da economia global este ano para 3,2%, ou seja, 0,4 pontos percentuais (p.p.) abaixo do anteriormente projetado, citando as perturbações exacerbadas pela invasão da Ucrânia como um dos principais motivos para esta revisão em baixa. Já para a zona euro, o impacto da guerra é ainda mais evidente, levando o FMI a deixar avisos, especialmente dada a normalização monetária em curso.

A economia global deverá crescer 3,2% este ano e 2,9% no próximo, com a generalidade dos principais países a sofrerem uma revisão em baixa, fruto da deterioração do ambiente económico global.

Para a zona euro, a expectativa de crescimento no final do ano é agora de 2,6%, um valor que deverá recuar para 1,2% no próximo ano. No anterior documento de previsões macro, o FMI projetava 2,8% em 2022 e 2,3% em 2023.

Um dos mais notórios “enormes riscos negativos” para esta projeção é a possibilidade de serem interrompidas as exportações de bens energéticos russos para a economia da zona euro, especialmente de gás natural. Outro perigo prende-se com a evolução dos preços, algo também correlacionado com a questão energética, com o Fundo a temer que esta “possa ser mais difícil de fazer descer do que antecipado se os mercados laborais estiverem mais rígidos ou se as expectativas se desancorarem”.

Também a pandemia pode continuar a pesar na economia mundial, especialmente caso novos surtos na China levem a confinamentos em massa em cidades fulcrais para o comércio internacional. Também na China há alguma preocupação com o mercado imobiliário, um risco que pode colocar em causa da previsão de crescimento de 3,3% este ano. Este valor é uma revisão em baixa de 1,1 p.p. em relação às anteriores projeções.

Os EUA registam um corte de 1,4 p.p. na previsão de crescimento este ano, com o FMI a apontar agora a 2,3% à medida que as famílias norte-americanas perdem poder de compra pela subida da inflação e enfrentam uma política monetária cada vez mais restritiva.

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