“Fomos a quarta economia que mais cresceu no terceiro trimestre deste ano”, afirma o ministro Siza Vieira

No segundo trimestre, libertada a pressão do encerramento das atividades, “a economia volta a crescer e cresce a um ritmo absolutamente extraordinário: 13,2% no terceiro trimestre deste ano”, afirmou o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, no encerramento da quarta sessão da “Conferência Aicep 2020, Exportações & Investimento”.

“Fomos a quarta economia que mais cresceu no terceiro trimestre deste ano”, afirmou o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, no encerramento da quarta sessão da “Conferência Aicep 2020, Exportações & Investimento”, hoje divulgada e organizada pelo “Dinheiro Vivo”, contando com a presença da diretora do Diário de Notícias, Rosália Amorim.

Durante “a segunda metade do mês de março e no mês de maio nós tivemos uma contração brutal da nossa economia. Como se tivéssemos criado um choque, uma pressão enorme sobre o conjunto das nossas empresas. No segundo trimestre deste ano, o PIB caiu em relação ao primeiro trimestre 13,8%. No segundo trimestre, libertada essa pressão, a economia volta a crescer e cresce a um ritmo absolutamente extraordinário: 13,2% no terceiro trimestre deste ano. Melhor exemplo de resiliência não há. Fomos a quarta economia que no terceiro trimestre deste ano mais cresceu”, diz Siza Vieira.

“Aquilo que puxou muito decisivamente por esse crescimento foram as nossas exportações de bens. As empresas industriais conseguiram atingir uma recuperação da produção, uma colocação de produtos no exterior de tal maneira que em setembro e outubro voltámos a ter níveis de exportação muito próximos daqueles que se verificaram nos meses homólogos de 2019”, adiantou o ministro.

“Alguns sectores em particular tiveram um desempenho absolutamente notável. No sector automóvel, em outubro, tivemos crescimentos muito significativos, acima do valor de outubro de 2019. No sector das máquinas e equipamentos industriais, crescemos 6% nas exportações de 2020, relativamente a outubro de 2019”, adiantou Siza Vieira.

“A procura que é dirigida a estes sectores continua a não estar aqui protagonizada. Mas aquilo que verificamos é esta extraordinária qualidade de resiliência. Fechamos e depois recuperamos. Durante este ano, também, nós procuramos apoiar a resiliência das empresas, porque este choque é muito importante; este choque é sobre cada uma das empresas e sobre o conjunto do tecido empresarial; é um choque sobre o país como um todo”, refere o ministro da Economia.

Nesse contexto, “aquilo que pretendemos fazer foi mobilizar os recursos à disposição do país, para ajudar as empresas a absorver este choque. Foi por isso que perante uma diminuição muito significativa dos clientes, da procura, das encomendas, procurámos encontrar formas de permitir que as empresas pudessem manter o emprego, pudessem manter o seu potencial produtivo, pudessem ter os recursos financeiros necessários para irem cumprindo as suas obrigações, porque assim se assegura a resiliência”, comentou Siza Vieira.

“Se uma empresa perante uma quebra de encomendas total, uma quebra de atividade completa, uma redução das suas vendas, de uma forma tão significativa como a que ocorreu este ano, ficasse pura e simplesmente a contar com os seus recursos, com as suas disponibilidades, com as reservas que pudesse ter constituído, ia ficar muito rapidamente depauperada e provavelmente teria que, ou despedir trabalhadores, ou encerrar uma parte da sua atividade”, referiu.

“As medidas que fomos adotando ao longo deste ano e que fomos ajustando, que fomos flexibilizando, que fomos acrescentando à medida que a economia ia crescendo ou fechando, que fomos dirigindo especialmente para os sectores mais afetados visam precisamente ajudar esta ideia de resiliência”, referiu ainda Siza Vieira. “Porque se as empresas prescindissem dos seus trabalhadores porque não conseguiam pagar os salários; se prescindissem das instalações que têm porque não conseguiam pagar as rendas; se entrassem em incumprimento perante os seus fornecedores, quebrando relações comerciais porque não tinham tesouraria para pagar compromissos passados, então aquilo que aconteceria quando regresse a procura, quando regressem os clientes, quando retirarmos as restrições administrativas que existem, as empresas não eram capazes de responder à procura”, comentou, concluindo que “as empresas são resilientes e toda a política económica do país foi para colocar os recursos do país ao serviço dessa resiliência do nosso tecido empresarial. O choque foi muito violento, mas as consequências não estão a ter a violência que muitos antecipavam”.

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