Fórmula 1. Como a Mercedes usa tecnologia para reduzir emissões de carbono equivalentes a 11 milhões de carros

A equipa liderada por Toto Wolf tem um acordo há mais de um ano com a Teamviewer que permite levar o laboratório de Northamptonshire para as garagens de todo o mundo. “Não podemos levar 90 engenheiros connosco”, referiu o ex-piloto austríaco, na Web Summit, em Lisboa.

Ben McShane / Web Summit

Toto Wolf, o número um da equipa de Fórmula 1 (F1) da Mercedes, foi um dos maiores nomes a subir ao palco da Web Summit esta quinta-feira. Sem a pressão de “race week”, o ex-piloto austríaco chegou ao centro da Altice Arena descontraído, encasacado para o dia chuvoso pouco característico de Portugal e preparado para explicar as melhorias que a tecnológica Teamviewer trouxe ao desporto-rei do motociclismo.

Para quem não usa Teamviewer nem faz ideia do que seja: é um software que permite ter o seu ecrã de telemóvel ou computador em qualquer ecrã de qualquer pessoa em qualquer lugar – por vezes, demasiado assustador. Por exemplo, se estiver a olhar para o portátil enquanto utiliza o Teamviewer com o informático da sua empresa ou um familiar/amigo conseguirá ver o símbolo do rato a mover-se “sozinho” de acordo com o que, do outro lado, estiverem a fazer.

A equipa de F1 Mercedes-AMG Petronas também quis aplicar esta funcionalidade nas suas operações, tornando-se remotas, para poder ter todos os seus engenheiros a trabalhar nos carros a partir do Reino Unido para qualquer parte do globo. É como se tivessem o laboratório de Northamptonshire nas garagens de Silverstone, Barcelona, Austin ou Suzuka. “Não podemos levar os nossos 90 engenheiros connosco”, lembrou Toto Wolf, perante uma recheada plateia na Web Summit, em Lisboa.

“A ‘cirurgia’ no terreno é complexa e esta é a única tecnologia que nos permite estar na garagem a ver o mesmo ecrã do que a pessoa que está na sede (…). A sustentabilidade é um tópico-chave para nós. Esta tecnologia permite-nos prosseguir esse objetivo”, sintetizou o chefe dos pilotos britânicos Lewis Hamilton e George Russell. “Acho que é da nossa responsabilidade, para com os milhares de milhões de espectadores que temos, mostrar que se conseguimos fazer isto todos os outros também conseguem. É ser um show-case para a audiência”, explicou.

O CEO e chairman da Teamviewer concorda, até porque a sua tecnologia permite à Mercedes: apoio remoto (digital) em todas as operações, monitorizar a equipa em termos de capacidades de teste e desenvolvimento dos carros, manter a conectividade entre a sede e as corridas aos fins de semana e os diferentes departamentos. Na pegada ambiental, a poupança é mensurável: corte de emissões de carbono equivalentes a 11 milhões de carros anualmente.

“Estamos muito felizes com a parceria. É um sítio fascinante para aplicar tecnologia e vermos realmente esse crescimento e o quão rápidos temos de ser”, admitiu Oliver Stein. “Há tantos dados hoje em dia e fala-se muito de dados na cloud. E é bom saber que as pessoas estão em casa e conseguem a aceder a essa quantidade de dados”, afirmou.

Uma ideia na qual se revê o “cliente” Toto: “Não há espaço para erros na F1 (…). O mais que se conseguir fazer remoto o menos precisaremos de transportar”.

É por isso que, a partir do próximo mês (depois de Brasil e Abu Dhabi), as duas empresas – a equipa de F1 e a tecnológica alemã – vão voltar aos trabalhos a 100% para melhorar o produto e trazer mais funcionalidades e mais-valias à parceria. “É muito complexo fazer mudanças tecnológicas durante a época [season] mas nesta altura do inverno, entre o final desta época e o início da próxima, é um período muito interessante. As equipas estão sempre muito entusiasmadas com esta fase”, concluiu Oliver Stein.

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