Fórum estima abrandamento do crescimento do PIB para entre -2% e 1% em 2023

“A persistência da inflação poderá reforçar o plano de subida de taxas de juro do BCE, reforçando o ambiente recessivo”, por isso o Fórum para a Competitividade estima um abrandamento do crescimento, de entre 6,5% a 6,8% em 2022 para entre -2% e 1% em 2023. 

Há uma deterioração da conjuntura internacional, sendo crescentes os riscos de recessão, diz a Nota de Conjuntura de outubro do Fórum para a Competitividade.

“A persistência da inflação poderá reforçar o plano de subida de taxas de juro do BCE, reforçando o ambiente recessivo”, por isso o Fórum para a Competitividade estima um abrandamento do crescimento, de entre 6,5% a 6,8% em 2022 para entre -2% e 1% em 2023.

Na reunião de dezembro, o BCE deverá subir de novo as taxas de juro, entre 0,5% e 0,75%, que o mercado espera que prossiga até entre 3% e 3,5% em meados de 2023.

“O orçamento de 2023 usa o imposto inflação em larga escala e, mesmo assim, se a transferência extra de 0,5% do PIB para os pensionistas não ocorresse em 2022, mas apenas em 2023, o défice deste ano desceria para 1,4% e o do próximo ano subiria para 1,4% do PIB, revelando ausência de progresso”, consideram os economistas do Fórum.

As novas previsões do FMI repetem o padrão das previsões vindas das mais diversas origens, diz o Fórum que lembra que “o crescimento deverá ser menor e a inflação mais elevada. As razões apontadas são a crise do custo de vida, as condições financeiras mais restritivas na maioria das regiões, a invasão da Ucrânia e o prolongamento da pandemia”.

Em Portugal, em outubro, a inflação voltou a acelerar, de 9,3% para 10,2%, com aceleração significativa, quer dos preços da alimentação (de 16,9% para 18,9%), quer dos produtos energéticos (de 22,2% para 27,6%).

No terceiro trimestre, o PIB cresceu 0,4% em cadeia, melhor do que o esperado, e 4,9% em termos homólogos. Mas os economistas consideram que a maior surpresa terá sido a do consumo privado, que conseguiu recuperar, quando tudo parecia apontar para uma debilidade.

O Fórum considera que “o acordo de rendimentos de médio prazo comete o pecado original de se focar sobretudo na distribuição do bolo e não no aumento do tamanho do bolo, quando a estagnação do que há para distribuir é um dos problemas mais graves da economia portuguesa das últimas duas décadas”.

Há também críticas ao atraso do Plano de Recuperação e Resiliência. “Entre março e outubro, os pagamentos em atraso no PRR face ao que seria o ritmo normal totalizam 1.180 milhões de euros”, diz a nota de conjuntura.

Recomendadas

Atualização do IAS aumenta valor máximo do subsídio de desemprego em 93 euros

O valor máximo do subsídio de desemprego vai subir mais do que o previsto avançando 93 euros, para 1.201,08 euros, refletindo o aumento de 8,4% do Indexante de Apoios Sociais (IAS) em 2023.

Afinal, pensões mais baixas vão subir 4,83% em janeiro

Pensões até 961 euros vão ter aumento de 4,83%, pensões entre 961 euros e 2.883 euros vão subir 4,49% e pensões acima de 2.883 euros vão crescer 3,89%. Correção das atualização vai custar 110 milhões de euros, aos quais se somam os 1.155 milhões de euros já previstos.

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta quarta-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta quarta-feira.
Comentários