Fórum para a Competitividade teme desaceleração do crescimento nacional no resto do ano

A subida dos preços da energia e o retorno da poupança aos níveis pré-pandémicos leva a instituição liderada por Ferraz da Costa a projetar um abrandamento significativo da economia nos próximos trimestres, apesar do crescimento assinalável no primeiro período do ano.

O Fórum para a Competitividade antecipa que o crescimento económico em Portugal abrande significativamente no segundo trimestre do ano, uma tendência que se deve prolongar para o resto de 2022, à medida que o estímulo dado pela poupança forçada durante a pandemia se vai esgotando e a conjuntura internacional condiciona a atividade.

Na nota de conjuntura de junho, a instituição liderada por Pedro Ferraz da Costa destaca o “dinamismo fora do comum” demonstrado pela economia nacional no primeiro trimestre, o que já deixava antecipar uma queda no período seguinte. A isto, explica a nota, “tem que se somar os impactos da invasão da Ucrânia”, que tem levado a um agravamento das perturbações que se verificavam nos mercados internacionais e cadeias de logística, particularmente no sector da energia.

Neste capítulo, a análise do Fórum teme um “corte de fornecimentos de gás russo durante o Inverno”, algo que parece já se começar a verificar com a “diminuição recente de fornecimentos”, que parece “ter como objetivo impedir o armazenamento de precaução” na Europa.

Apesar da reduzida exposição direta da economia nacional à energia russa, este fenómeno levará “a uma subida de preços, também no gás natural”, agravando a inflação e, como tal, representando um “risco de subida de taxas de juro e de maior arrefecimento da economia”.

No que toca à inflação em Portugal, a nota destaca a evolução rápida do indicador, que já ultrapassa a da zona euro. Acresce a isto que a inflação subjacente tem vindo a crescer a um ritmo semelhante, algo que não se verifica no bloco da moeda única, e o efeito ‘carry over‘ (ou seja, quanto seria a inflação no final do ano se as próximas leituras mensais fossem todas zero) representa já 7,2% em ambos os espaços económicos.

“Para se atingir o valor de 3,7% previsto no Orçamento para 2022, a inflação mensal teria que ser, em média, negativa em 1,9% todos os meses, entre Julho e Dezembro, o que é praticamente impossível”, quantifica o documento.

Esta subida de preços irá ter repercussões no consumo interno, um dos motores do crescimento assinalável da economia portuguesa no primeiro trimestre. O primeiro trimestre registou já um abrandamento da taxa de poupança de 10,7% para 8,3%, o que fica “muito próximo do que se verificava antes da pandemia (7,2%), pelo que já há muito pouco estímulo adicional a esperar deste ajustamento”.

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