Fórum Seguros: Literacia, talento e cliente são principais desafios

As empresas de seguros enfrentam dificuldades na captação e retenção de talento e na forma como transmitem a importância dos seguros à sociedade. O painel Novas Tendências nos Seguros, inserido no Fórum Sector Segurador 2022 do Jornal Económico, deixa algumas pistas sobre como ultrapassá-los.

Cristina Bernardo

Num mundo em que a única certeza é a incerteza, são vários os desafios que se colocam ao sector dos seguros. Para Ana Teixeira, c-fundadora e CEO da Mudey, um desafio importante é combater a falta de penetração dos seguros e esse combate envolve a literacia. “O desafio passa por reafirmar a importância do seguro que tem um papel vital na sociedade”, afirmou esta quarta-feira, 18 de maio, no Fórum Sector Segurador 2022, promovido pelo Jornal Económico, no Pestana Palace em Lisboa.

“O seguro – afirmou Ana Teixeira – é um contrato feito por advogados mas falado por pessoas. O falar simples é o mais complicado – é preciso trabalhar muito a literacia para que as pessoas e as empresas possam tomar uma decisão informada e consciente”.

Pedro Rego, CEO da F. Rego, que também interveio no painel Novas Tendências nos Seguros, moderado pelo jornalista Vítor Norinha, apontou na mesma direção da responsável da Mudey. Este defensor do digital, como disse ser, considerou, não obstante, que o fator humano vai continuar a ser fundamental na atividade.

A captação e retenção de talento está a ser um problema no sector financeiro, em geral, e nos seguros em particular. “Há vagas por preencher”, afirmou. Justificando: “Está a ser difícil explicar às novas gerações a relevância do sector”. Consequência? “Corremos o riso de ter um sector que está a envelhecer muito rapidamente”.

Do ponto de vista de Iñigo Guerrero, Head of Distribution & Marketing Iberia BNP Paribas Cardif, a tecnologia é um desafio mas também uma oportunidade para o sector segurador, “mas o factor humano continua a ser fundamental”.

No grupo das oportunidades considerou que são todas as que estão relacionadas com o estilo de vida contemporâneo, mas elencou três em específico: risco cibernético, mobilidade e desemprego.

Falando no mesmo painel, Gonçalo Pereira, da Lovys Seguros, lembrou que um seguro é um contrato entre um cliente e um determinado risco e a cobertura desse risco e admitiu que nos dias de hoje “o cliente não quer pagar coisas que não precisa”. O caminho, adiantou, vai no sentido de uma contratação mais simplificada e a tecnologia é um factor fundamental para o êxito deste processo.

Desafios? Podia falar da tecnologia e das pessoas, disse Gonçalo Pereira, mas optou por focar nos desafios que o futuro coloca à  Lovys Seguros. “Continuar a crescer é o nosso primeiro desafio. O segundo é passar da taxa de um vírgula pouco para dois ou mais seguros por cliente. Lançar mais produtos nos países onde estamos é o terceiro e captar mais parceiros que vendam bem o quarto”.

Por seu turno, Gonçalo Batista, Diretor Geral da Innovarisk, explicou que no mundo em que vivemos “um mundo imediatista”, precisamos de simplificação. E nesse campo, a  tecnologia é um óptimo facilitador, adiantou,  acrescentando que permite, por exemplo, regularizar sinistros quase sem intervenção humana. “Nas áreas onde é possível, a tecnologia, que é um facilitador enorme, vai ser o mote”, adiantou, perscrutando o futuro.

O Fórum Sector Segurador 2022, promovido pelo Jornal Económico, teve um painel dedicado à sustentabilidade no sector dos seguros.

Margarida Corrêa de Aguiar, presidente da Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), defendeu no Fórum que o sector dos seguros tem oportunidade de se reinventar.

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