Fraco investimento europeu empurra novos unicórnios para Estados Unidos, conclui estudo

Em Portugal, existem atualmente sete unicórnios avaliados em mais de 41,5 mil milhões de dólares. Estudo da Atomico revela que a maioria dos unicórnios nascidos na Europa continua a tornar-se norte-americano.

A maioria dos unicórnios nascidos na Europa continua a ganhar nacionalidade norte-americana a partir das primeiras ronda de levantamento de capital que envolvem montantes significativos, como foi o caso da Anchorage, o mais recente unicórnio com origem em Portugal, e de todos os outros, excetuando a Feedzai.

Esta é a principal conclusão do relatório divulgado, esta segunda-feira, pela Atomico, um dos maiores fundos europeus de venture capital, onde explica que os investidores privados europeus “ainda apostam pouco nos fundos de venture capital que investem nas empresas com grande potencial de crescimento” nomeadamente os unicórnios que são empresas que são avaliados em mais de mil milhões de dólares.

Tendo em conta o fraco investimento europeu “os fundos de venture capital norte-americanos, melhor capitalizados, e também os da Ásia, investem nas empresas europeias abrindo caminho para levarem a suas sedes e a sua cotação em bolsa para fora do continente europeu”.

Embora o avanço dos asiáticos seja significativo são os norte-americanos que continuam a apostar no mercado europeu e a vê-lo como uma grande oportunidade, “liderando o capital investido em tecnológicas europeias, principalmente em investimentos iguais ou superiores a 100 milhões de dólares”, diz a Atomico.

Em Portugal, onde os sete unicórnios com ADN português valem mais de 41,5 mil milhões de dólares, o Governo quer contrariar a tendência e vai contar com a colaboração da Associação Portuguesa de Capital De Risco (APCRI) para promover o investimento privado nestes fundos e remover obstáculos regulatórios que o impeçam.

Sobre este fenómeno, Stephan Morais, da direção da APCRI, refere que “as startups europeias desenvolvidas por fundos privados de Venture Capital – entre elas, os unicórnios – são uma boa classe de ativos, com rentabilidades muito superiores a outros investimentos”.

“Os unicórnios nascem em Portugal, empregam pessoas em Portugal, contribuem para a segurança social e para a economia portuguesa, mas vão quase todos sedear-se nos Estados Unidos e animar o seu mercado de capitais, em vez de o fazerem deste lado Atlântico”, assegura Stephan Morais.

No total, os unicórnios nacionais valem mais de 41,5 mil milhões de dólares — com a Farfetch a liderar, com uma avaliação na ordem dos 14,5 mil milhões de dólares, seguida da Talkdesk (com uma avaliação de 10 mil milhões de dólares), da Outsystems (9,5 mil milhões de dólares), Anchorage Digital (3 mil milhões de dólares), Sword Health (mais de 2 mil milhões de dólares), Feedzai (1,5 mil milhões de dólares) e Remote (mil milhões de dólares).

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