Fragmentação severa da economia mundial custa 7% ao PIB, segundo FMI

Na sua análise o FMI diz que “de facto, mesmo quando precisamos de mais cooperação internacional em múltiplas frentes, estamos perante o espectro de uma nova Guerra Fria que pode ver o mundo fragmentar-se em blocos económicos rivais. Isto será um erro de política colectiva que deixará todos mais pobres e menos seguros”.

Numa altura em que os decisores políticos e os líderes empresariais se reúnem no Fórum Económico Mundial em Davos, o blog do FMI faz uma análise à reversão da globalização mundial e ao impacto nas economias.

“A fragmentação pode tornar ainda mais difícil ajudar muitas economias emergentes e em desenvolvimento que são mais vulneráveis que foram duramente atingidas por múltiplos choques”, diz o artigo do FMI.

Depois de décadas de integração, a economia mundial está atualmente num processo de fragmentação. Se o processo for severo, terá um impacto negativo que pode representar 7% do PIB mundial, refere um estudo do FMI, admitindo que alguns países possam sofrer um impacto entre 8% e 12%, conclui o FMI. O resumo é feito pela newsletter da BA&N.  Mesmo num cenário de fragmentação suave, o FMI alerta que o impacto na economia mundial será negativo (-0,2%).

A integração da economia mundial deu um passo atrás desde a crise financeira de 2008, com muitos países a avançarem com restrições ao comércio de bens. A guerra na Ucrânia agravou essa tendência.

“Desde o abrandamento económico global e as alterações climáticas à crise do custo de vida e aos elevados níveis de endividamento” até às “tensões geopolíticas, tudo contribui para essa fragmentação.

O FMI admite o regresso a um clima de guerra fria. Na sua análise diz que “de facto, mesmo quando precisamos de mais cooperação internacional em múltiplas frentes, estamos perante o espectro de uma nova Guerra Fria que pode ver o mundo fragmentar-se em blocos económicos rivais. Isto será um erro de política colectiva que deixará todos mais pobres e menos seguros”, diz a instituição.

A análise assinada por Kristalina Georgieva, defende que “afinal, a integração económica ajudou milhares de milhões de pessoas a tornarem-se mais ricas, mais saudáveis, e com melhor educação”.

“Desde o fim da Guerra Fria, a dimensão da economia global triplicou aproximadamente, e quase 1,5 mil milhões de pessoas foram retiradas da pobreza extrema. Este dividendo de paz e cooperação não deve ser desperdiçado”, defende o FMI.

“As estimativas do custo da fragmentação de estudos recentes variam muito. O custo a longo prazo da fragmentação comercial poderia variar entre 0,2% da produção global num cenário de fragmentação limitada e quase 7% num cenário grave – o que equivale à produção anual combinada da Alemanha e do Japão. Se a dissociação tecnológica for adicionada à mistura, alguns países poderiam ver perdas até 12% do PIB”, refere o FMI.

No entanto, de acordo com a nova análise do FMI, o impacto total será provavelmente maior, dependendo de quantos canais de fragmentação são tidos em conta. “Para além das restrições comerciais e barreiras à disseminação de tecnologia, a fragmentação poderá ser sentida através de restrições à migração transfronteiriça, redução dos fluxos de capital, e um declínio acentuado na cooperação internacional que nos deixaria incapazes de enfrentar os desafios de um mundo mais propenso a choques”, considera a instituição.

O FMI diz mesmo que “isto seria especialmente desafiante para os consumidores com menores rendimentos nas economias avançadas que perderiam o acesso a bens importados mais baratos. As pequenas economias de mercado aberto seriam duramente atingidas. A maior parte da Ásia sofreria devido à sua forte dependência do comércio aberto”. E as economias emergentes e em desenvolvimento deixariam de beneficiar das repercussões tecnológicas que impulsionaram o crescimento da produtividade e o nível de vida. “Em vez de alcançar os níveis de rendimento da economia avançada, o mundo em desenvolvimento ficaria ainda mais para trás”, alerta o FMI.

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