França e Turquia ensaiam normalização das relações

Paris e Ancara estão em desacordo sobre quase todos os dossiers internacionais e a tensão entre os dois países tem subido de tom. Esta tarde, representantes dos dois governo vão tentar estabelecer um roteiro de aproximação. Uma cimeira sobre o Mediterrâneo Oriental é uma das possibilidades.

As relações diplomáticas entre a Turquia e a França têm vindo cair para um período de tensão, depois de vários assuntos internacionais terem afastado Paris e Ancara – tudo tendo ficado ainda pior quando o presidente Emmanuel Macron decidiu eleger o combate ao Islão radical como uma estratégia do Governo. Mas as duas capitais agendaram para hoje um encontro (virtual) que pretendem que seja o primeiro passo para a normalização das relações.

O governo turco mostra-se aberto ao diálogo mas parece ter optado por colocar exigências: Paris deve mudar a sua postura em relação a Ancara sobre as suas operações na Síria, disse o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Çavusoglu – que informou ter recebido um telefonema do seu homólogo francês, Jean Yves-Le Drian, para promover o fim das hostilidades.

Çavusoglu anunciou o encontro para “traçar um roteiro” para a normalização das relações entre os dois países e recordou que a Turquia saudou a posição da Alemanha na última cimeira do Conselho Europeu – durante o qual os germânicos tentaram travar o novo processo de sanções contra Ancara por causa do Mediterrâneo Oriental – tendo condenado a posição de França, contrária à Alemanha.

Os desentendimentos entre os dois países aumentaram quando a França enviou meios navais para o Mediterrâneo Oriental em apoio aos navios de guerra gregos estacionados em águas disputadas por Ancara e Atenas.

O ministro disse ainda que a Turquia não tem problemas com a França, “simplesmente reage aos erros e hostilidade contra o país”. E recordou que o presidente Recep Erdogan tem vindo a mostrar esforços de normalização das relações com a União Europeia, nomeadamente tentado agendar uma cimeira sobre o Mediterrâneo Oriental.

As relações entre a Turquia e a França deterioraram-se não só por causa do Mediterrâneo Oriental, mas também por discordâncias dos dois países nas questões da  Síria, Líbia e Nagorno-Karabakh. Pior ainda – na ótica de Ancara – em 2018 as autoridades francesas reuniram com os líderes do ramo sírio do grupo PKK, o YPG, considerado terrorista pela Turquia.

Na Líbia, Ancara apoiou o Governo de Acordo Nacional (GNA), reconhecido pelas Nações Unidas, enquanto a França forneceu apoio ao general dissidente Khalifa Haftar.

Em setembro, Macron disse que os europeus devem ser “claros e firmes, não com a Turquia como nação e povo, mas com o governo do presidente Erdogan, que tomou ações inaceitáveis” – o que resultou numa amarga troca de argumentos entre os dois presidentes.

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