França: esquerda mais perto da coligação para as legislativas

Depois de árduas semanas de conversações, a coligação de esquerda que espera levar Jean-Luc Mélenchon à cadeira de primeiro-ministro está pronta. Resta saber que partidos vão tomar lugar no seu seio. Más notícias para Emmanuel Macron.

As negociações são para continuar – possivelmente até à véspera das eleições legislativas de junho – mas parece estar cada vez mais perto uma coligação de partidos da esquerda francesa para fazer frente ao partido do presidente Emmanuel Macron, com intuito firme de ser chamada a formar governo. Com as novidades a chegarem a todo o instante, neste momento já é possível antecipar-se uma coligação entre o França Insubmissa (LFI), de Jean-Luc Mélenchon, o partido Os Verdes (EELV) e o Partido Comunista (PCF) – a que se poderá ainda aliar o Partido Socialista.

Segundo a imprensa gaulesa, o acordo entre o LFI e os comunistas está prestes a ser finalizado: a delegação comunista esteve com representantes de Mélenchon noite dentro e um acordo foi concluído (às 4h30 da madrugada, segundo o jornal “Le Monde”). A hora do fecho das negociações não é despiciendo: demonstra como a coligação está de facto dentro dos projetos imediatos de vários partidos de esquerda – que em França têm um histórico de desentendimentos assinalável, com forte impacto na esquerda europeia ao longo dos últimos cem anos.

O projeto de coligação foi apresentado ao executivo nacional do PCF, que deu o seu consentimento por votação efetuada esta manhã. O projeto de acordo abrange cinquenta círculos eleitorais na França metropolitana – tendo assim ficado para trás o ultimo grande entrave à sua conclusão: as divergências relativas à questão nuclear.

“O executivo nacional do PCF acaba de dar um mandato favorável à sua delegação nacional para finalizar o projeto de acordo com o LFI” , escreveu no Twitter Igor Zamichiei, coordenador do executivo nacional do PCF. O projeto ainda terá de ser submetido ao Conselho Nacional do PCF, mas o sentido de voto já não deverá ser alterado.

Entretanto, o LFI retomou esta tarde encontros com o Partido Socialista, bem como com o Novo Partido Anticapitalista (NPA). O seu líder, Antoine Lruche, afirmou estar pouco à vontade com a presença dos socialistas – que têm assumido repetidas vezes políticas liberais com que não concordam – basta recordar que Macron foi ministro da Economia do último governo socialista, chefiado por François Hollande.

A conclusão do acordo entre LFI e EELV na noite de domingo mergulhou a esquerda numa certa euforia, dado serem tradicionalmente concorrentes. Mas os 21,95% dos votos obtidos por Jean-Luc Mélenchon na primeira volta das eleições presidenciais constitui um ‘isco’ poderoso para uma nova coligação. As contas são simples: se estes quatro partidos tivessem concorrido coligados às presidenciais em linha com Jean-Luc Mélenchon, Marine Le Pen teria falhado a segunda volta. O que já está definido é que, se houver coligação, Mélenchon será o candidato a primeiro-ministro.

A coligação de esquerda não é uma boa notícia para Emmanuel Macron: a sua prestação na segunda volta das presidenciais – abaixo do que conseguiu há cinco anos – indica que as legislativas não lhe correrão tão bem como em junho de 2017 – o que pode obrigar o presidente a cinco anos de coabitação com um governo que não estará alinhado com as suas opções políticas. Pelo menos não totalmente.

Se a coligação ganhar, Macron terá um segundo mandato difícil. E, depois de ter ganho o perigo da extrema-direita, pode agora ficar nas mãos da esquerda (a que alguns chamam radical).

Entretanto, do outro lado da barricada, o extremista Eric Zemmour está também a ponderar não concorrer às legislativas de junho e propor a concentração de votos em Marine Le Pen. Mas, face ao complicado e algo extravagante edifício jurídico que envolve a legislação eleitoral francesa, essa transferência pode ser totalmente ineficaz e não acrescentar nada ao Rassemblement National.

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