França: Habitantes de Saint-Denis votam para travar entrada de Marine Le Pen no Eliseu

Em Saint-Denis, nos arredores de Paris, a primeira volta das eleições presidenciais foi ganha com mais de 60% por Jean-Luc Mélenchon e este domingo, “por exclusão de partes”, a população vota Emmanuel Macron para travar chegada de Le Pen ao Palácio do Eliseu.

2 – Paris, França

Em Saint-Denis, nos arredores de Paris, a primeira volta das eleições presidenciais foi ganha com mais de 60% por Jean-Luc Mélenchon e este domingo, “por exclusão de partes”, a população vota Emmanuel Macron para travar chegada de Le Pen ao Palácio do Eliseu.

“Por exclusão de partes, votei em Emmanuel Macron. Mesmo se Jean-Luc Mélenchon não passou, espero que as pessoas aqui percebam que Marine Le Pen é uma escolha complicada para o nosso país”, explicou Matthias, empresário de 35 anos, que hoje votou na Câmara Municipal de Saint-Denis nas imediações de Paris, em declarações à Agência Lusa.

Esta cidade, tal como todo o departamento de Seine-Saint-Denis, às portas da capital, é um dos baluartes de Jean-Luc Mélenchon e o candidato de extrema-esquerda conseguiu aqui uma das suas mais expressivas vitórias na primeira volta destas eleições. Mélenchon acabou por ficar em terceiro lugar a nível nacional, sendo eliminado na segunda volta.

É este o eleitorado que Emmanuel Macron espera conquistar este domingo de forma a ganhar a segunda volta das eleições face a Marine Le Pen. Para isso, o Presidente esteve mesmo nesta cidade na quinta-feira, onde se encontrou com os autarcas e com a população, mas, mesmo assim, a mobilização não está assegurada.

“As opiniões são muito diversas à minha volta. Eu perguntei a muita gente e a maior parte das pessoas que votaram em Jean-Luc Mélenchon na primeira volta nem vêm votar e não podemos obrigar ninguém”, explicou Nayma, que trabalha no sector imobiliário.

Nayma votou Mélenchon na primeira volta, mas espera agora que Emmanuel Macron concretize algumas das promessas da esquerda, especialmente no que diz respeito ao alívio do aumento do custo de vida em França para as famílias.

“O que precisamos é de ajudas para as família monoparentais, de melhorar a saúde, especialmente depois da Covid-19, e ajudas para suportar o custo de vida que está a aumentar. A comida ficou mais cara assim como a gasolina, as contas, mas os salários não acompanham. Espero que Emmanuel Macron aligeire um pouco a nossa vida”, desabafou.

Para quem veio votar esta manhã, mesmo Emmanuel Macron não sendo a escolha óbvia, a alternativa pode mesmo levar a uma nova vida fora de França

“Eu vim votar para evitar que a extrema-direita passe. Espero que esta noite não sejamos um país de extrema-direita. Nem sei o que farei, prometi a mim própria que não viveria num país de extrema-direita, tenho 62 anos, é complicado exilar-me a esta altura da vida, mas penso nisso”, argumentou Catherine.

Esta parisiense instalada em Saint-Denis há vários anos, alerta que com a possível subida ao poder de Marine Le Pen, muitas pessoas nesta cidade, com uma população composta por mais de 130 nacionalidades, e em toda a França vão perder os seus direitos.

“Muitas pessoas vão perder os seus direitos, os estrangeiros e todas as minorias vão perder direitos. A França vai passar a fazer alianças políticas com todos os países com regimes de caráter fascista na Europa. Para mim, seria uma derrota moral da França gravíssima”, considerou.

Já para Cassandra, Marine Le Pen nunca será a sua Presidente, caso seja eleita esta noite.

“Ficarei um pouco surpresa se Marine Le Pen ganhar, ela tentou mostrar algo que ela não é e se ela ganhar, ela não é a minha Presidente. Talvez não parta a França ao meio, mas acredito que há uma maioria dos franceses que não se vão sentir representados desde o seu primeiro dia no poder”, disse a técnica de recursos humanos que nasceu em Saint-Denis.

O desconforto de voltar a ter Marine Le Pen na segunda volta, mas desta vez com uma proximidade maior a Emmanuel Macron, apesar da vantagem do Presidente nas sondagens, já é vivido por muitos nesta região.

“Talvez muitas coisas que ela diz, acabe por não fazer, mas as pessoas aqui sentem-se já ameaçadas. Segundo Le Pen, se quisermos usar o véu, temos de viver escondidas e acho que isso é pena. Eu escolho não usar véu, mas eu respeito as mulheres que o usam. Em Saint-Denis temos pessoas vindas de todo o lado, de todas as origens, e respeitamo-nos. E é só isso que importa”, declarou Nayma.

Para Catherine, cujo avô pertenceu à Resistência Francesa e cujo pai se opôs enquanto militar à Guerra da Argélia, Marine Le Pen no Palácio do Eliseu é “a negação de tudo que representa a França”.

“Estou muito ansiosa, oiço tantas pessoas que dizem que não vão votar ou que vão votar branco, que me faz ter medo. O meu pai e o meu avô vão dar voltas na tumba se Marine Le Pen for eleita, é a negação de tudo o que representa a França”, concluiu.

Ao meio-dia, a taxa de participação na segunda volta das eleições presidenciais francesas era de 26,41%, cerca de 2% menos do que em 2017. Os resultados vão começar a ser conhecidos às 20h00.

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