França: Macron renuncia a privilégios para tentar acalmar os ânimos

Com a onda de greves a impedir os franceses de terem um Natal descansado, o presidente tenta acalmar os ânimos e prepara-se para dizer ‘não’ a uma reforma de seis mil euros.

Emmanuel Macron prepara-se para desistir de uma generosa pensão presidencial de seis mil euros mensais (paga de forma vitalícia quando deixar o cargo), na tentativa de acalmar a raiva nacional pelos privilégios dos políticos – num quadro geral em que as greves dos transporte causam o caos entre os viajantes do Natal.

Com a greve dos comboios a entrar na terceira semana e milhares de viajantes a lutarem para chegarem a casa para o Natal, Macron, que completou 42 anos este fim-de-semana, fez uma jogada simbólica: será o primeiro presidente em mais de 50 anos a desistir da pensão automática de mais de seis mil euros por mês que todos os presidentes franceses recebem após deixarem o cargo, independentemente da idade ou da situação económica.

Macron está ciente, segundo os jornais gauleses, que as greves por causa das mudanças planeadas no sistema de reformas concentram-se cada vez mais nele próprio pessoalmente. Ainda não lhe perdoaram o facto de ter mandado construir uma piscina no retiro presidencial de verão e de atualizar tapetes e louças de Eliseu com compras caras.

O primeiro-ministro Édouard Philippe reconheceu recentemente que o povo francês acredita que os políticos são privilegiados, prometendo que “no novo sistema universal de pensões, eles serão tratados como qualquer outro francês”.

Mas a esquerda já criticou aquilo que considera ser apenas marketing político e recordou que a possibilidade de prescindir da pensão se deve apenas ao facto de o presidente ter faturado milhões como ex-banqueiro de investimentos.

Entretanto, e apesar das greves, o governo francês insiste em avançar com a unificação do sistema de pensões, argumentando que se livrar dos 42 regimes especiais para setores que variam entre os ferroviários, o setor energético, os advogados ou os funcionários da Ópera de Paris. E enquanto alguns sindicatos apoiam um único sistema, quase todos rejeitam qualquer ajuste relativo à idade – a passagem da reforma dos 62 para os 64 anos.

Com as greves programadas para continuarem no novo ano, o impasse tornou-se um problema pessoal para Macron, que prometera proporcionar a maior “transformação” do modelo social e do sistema de assistência social francês desde a era do pós-guerra. O não cumprimento da reforma do sistema de pensões poderá afetaria a firme base de apoio de Macron em cerca de 25%, o que é crucial para qualquer candidatura à reeleição em 2022, referem os jornais.

Para além dos viajantes, o setor do comércio também está a entrar no caos: as associações do setor dizem que o volume de negócios na mais importante quadra do ano (antes do Natal) desceu entre 30 a 60% em comparação com o ano passado.

Macron pediu aos grevistas que se parassem as greves durante o período de Natal – e até alguns sindicatos por trás das manifestações disseram o mesmo – mas o certo é que pelo menos nesses dois importantes setores, não há nenhum sinal de abrandamento das posições mais radicais.

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