França: Mélenchon volta a não apelar ao voto em Macron

Tal como sucedeu nas presidenciais, o líder da coligação de esquerda não apela ao voto em Macon nos círculos onde o embate é com o partido de Marine Le Pen. Mas nem todos os partidos da coligação seguem esta regra. Em causa estão 108 círculos eleitorais.

Lionel Bonaventure/REUTERS

Na segunda volta das eleições legislativas francesas, que tem lugar este domingo, em 108 dos 577 círculos eleitorais do país, os resultados da primeira volta ditaram um embate direto entre o partido do presidente Emmanuel Macron e o da líder da extrema-direita Marine Le Pen. Isto quer dizer que os votantes na coligação de esquerda, a NUPES, terão agora que escolher uma espécie de mal-menor.

Mas, tal como sucedeu a quando da segunda volta das presidenciais, em maio, Jean-Luc Mélenchon, líder da NUPES – que ficou em terceiro lugar nessas presidenciais, não tendo por isso passado à segunda volta – não está a apelar diretamente aos votantes de esquerda para que, nesses círculos, optem por Macron. Mélenchon volta a escudar-se na frase “nem um voto na extrema-direita”, tal como tinha feito antes, mas nem todos os partidos que formam a coligação estão a seguir esta diretiva.

Recorde-se que, nas presidenciais, enquanto Jean-Luc Mélenchon, líder da La France insoumise (LFI), pediu a seus eleitores que não dessem um único voto ao candidato do Rassemblement sem apelar claramente ao voto para o presidente, os outros candidatos derrotados da esquerda, Yannick Jadot (Europe Ecologie-Les Verts, EELV), Fabien Roussel (Partido Comunista Francês) e Anne Hidalgo (Partido Socialista), apoiaram Macron.

Dois meses depois, esse cenário repete-se e nos 108 círculos eleitorais onde Emmanuel Macron enfrenta Le Pen, PS, EELV, PCF, Génération s e Génération Ecologie optaram, em quase todos os casos, por apelar diretamente ao voto em Macron.

Mesmo assim, a maioria dos candidatos da NIPES derrotados na primeira volta partilha a posição de Mélenchon, pedindo para “não dar voz ao RN” sem se comprometer formalmente com Macron. Este é o caso da grande maioria dos candidatos da LFI. Um levantamento exaustivo frito pelo jornal “Le Monde” permite concluir que, dos 108 círculos em evidência, a NUPES optou por, em 69 dos casos, dizer apenas que não deve haver votos em Marine Le Pen; em 14 casos há um pedido expresso de voto em Macron; em mais 23 casos não há qualquer declaração; e em apenas dois casos a opção é pelo conselho no voto em branco.

De qualquer modo, e tal como sucedeu na maioria dos casos tanto na segunda volta das presidenciais deste ano mas também na de 2017 na segunda volta das legislativas de há cinco anos, Macron – e todos os analistas com ele – está seguro de que os votantes da NUOES não irão desperdiçar, na sua esmagadora maioria, os votos na extrema-direita.

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