França quer colocar regulamentação da bitcoin na agenda do G20

Roma apoia a ideia de criar uma regulamentação conjunta entre os países do G20, mas o ministro das Finanças italiano ainda não terá recebido nenhum pedido formal de Paris.

O governo francês está a pressionar os homólogos europeus para debaterem e chegarem a uma regulamentação conjunta sobre criptomoedas entre os países do G20. A proposta foi feita pelo ministro das Finanças de França, Bruno Le Maire, com base em preocupações sobre o uso de moedas digitais como a bitcoin em atividades criminosas e já conta com o apoio da Itália, pelo menos.

“Não gosto [da bitcoin]. Pode esconder atividades como tráfico de droga ou terrorismo”, disse Le Maire em declarações citadas pela Bloomberg. “Há um risco especulativo óbvio, temos de olhar para isso e estudá-lo”.

Segundo confirmou uma fonte do governo de Itália à agência, Roma apoia a ideia de criar uma regulamentação conjunta entre os países do G20. O ministro das Finanças italiano, Pier Carlo Padoan, estará disposto a discutir a proposta com Le Maire, mas não terá ainda recebido nenhum pedido formal de Paris.

A ideia surge numa altura em que a criação de regulamentação na União Europeia para ativos como a bitcoin tem estado em destaque, em parte devido à generalização do investimento, mas também devido aos riscos que os reguladores identificam.

Várias entidades têm alertado que o investimento em bitcoin é pouco seguro. Esta segunda-feira, o governador do Banco Central dinamarquês, Lahrs Rohde, avisou os investidores que se “devem manter longe” da bitcoin, que é, segundo Rohde, “mortífera”. Na sexta-feira, tinha sido diretor-executivo da Autoridade para a Conduta Financeira (ACF) do Reino Unido, Andrew Bailey, a defender que quem investe em bitcoin deve estar preparado para “perder todo o dinheiro”.

Em Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários admitiu no relatório “Risk Outlook” de outono, publicado esta sexta-feira, que a proteção para os investidores é muito “limitada” para quem investe em moedas virtuais como a bitcoin, a ethereum, a dash, a monero, a ripple e a litcoin.

O regulador do mercado de capitais que recentemente em Portugal lançou uma ação de fiscalização para o apuramento exaustivo de toda a oferta de produtos financeiros que têm como ativo subjacente a bitcoin ou outra moeda virtual, voltou a alertar para a falta de proteção dos investidores que transacionam ativos denominados nestas moedas.

O valor da bitcoin disparou desde o início do ano, tendo ultrapassado esta segunda-feira um novo recorde ao superar a barreira dos 19.500 dólares por unidade, depois de esta se ter estreado a negociar no CME Group.

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A entidade aconselha, assim, os investidores interessados em produtos financeiros relacionados com moedas virtuais a pedirem “informação completa sobre os produtos e especificamente sobre os riscos aos intermediários financeiros”.
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