Fraude, roubo e tráfico de droga. ‘Hackers’ utilizaram maior plataforma de criptomoedas do mundo para ‘lavar’ 2,1 mil milhões

Entre 2017 e 2021, a maior plataforma de compra e venda de criptomoedas foi utilizada por piratas informáticos para lavar dinheiro oriundo de esquemas de phishing, roubos e vendas de drogas ilegais.

A maior provedora de criptomoedas do mundo, Binance, foi utilizada por piratas informáticos para lavar 2,1 mil milhões de euros decorrentes de hacks, fraudes de investimento (phishing) e vendas de drogas ilegais entre 2017 e 2021, segundo os dados divulgados esta segunda-feira, 6 de junho, pela “Reuters”, confirmados por dois especialistas do sector.

A título de exemplo, em setembro de 2020, um grupo de hackers norte-coreano conhecido como Lazarus invadiu uma pequena plataforma de compra e venda de criptomoedas eslovaca e roubou moeda virtual no valor de cerca de cinco milhões de euros. Foi apenas um de uma série de assaltos cibernéticos do grupo Lazarus que Washington disse ter como objetivo financiar o programa de armas nucleares da Coreia do Norte.

Várias horas depois, os piratas informáticos abriram, pelo menos, duas dúzias de contas anónimas na Binance, permitindo a conversão e consequente venda da soma roubada sem deixar rasto, segundo excertos das conversas entre a polícia nacional da Eslováquia e a Binance, consultadas pela “Reuters”.

Em menos de nove minutos, recorrendo exclusivamente a endereços de e-mail encriptados como identificação, os hackers do Lazarus criaram contas da Binance e negociaram as criptomoedas roubadas da Eterbase, a bolsa eslovaca, de acordo com registos de contas que a Binance partilhou com a polícia.

“A Binance não tinha ideia de quem movimentava o dinheiro através da sua plataforma” devido à natureza anónima das contas, disse o co-fundador da Eterbase, Robert Auxt, cuja empresa não conseguiu localizar ou recuperar os fundos.

O dinheiro perdido da Eterbase faz parte de uma corrente de fundos ilícitos que fluiu pela Binance entre 2017 a 2021, segundo a investigação da “Reuters”. Nesse período, o montante de fundos obtidos ilicitamente transacionado ascende aos 2,1 mil milhões de euros.

Separadamente, a Chainalysis, que investiga e acompanha o mercado das criptomoedas, contratada por agências governamentais dos EUA para rastrear fluxos ilegais, concluiu num relatório de 2020 que a Binance recebeu fundos criminais que totalizam 770 milhões de dólares (718,5 milhões de euros) somente em 2019, mais do que qualquer outra plataforma de compra e venda de criptomoedas. O CEO da Binance, Changpeng Zhao, acusou a Chainalysis no Twitter de “má etiqueta nos negócios”.

O diretor de comunicações da Binance, Patrick Hillmann, afirma que a provedora não considera o cálculo da “Reuters” preciso, recusando-se a responder aos pedidos para fornecer os próprios números da Binance para os casos identificados na investigação.

Hillmann refere que a Binance está a construir a “equipa forense cibernética mais sofisticada do planeta” e procura “melhorar ainda mais a nossa capacidade de detetar atividades ilegais de na nossa plataforma”.

Com 120 milhões de utilizadores em todo o mundo, a Binance processa transações de criptomoedas no valor de biliões de dólares todos os meses. O sector das criptomoedas, conhecido pela sua volatilidade, atravessa uma fase atribulada fruto das desvalorizações que decorreram em maio, à medida que os investidores se afastam dos ativos ‘mais arriscados’, devido aos danos provocadas à economia originados pela guerra na Ucrânia.

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