Fundição: sector tem de ganhar a aposta na ferrovia

O sector tem de alterar as prioridades: com o mercado automóvel a não passar pelos melhores dias e as oportunidades que se abrem na ferrovia, a fundição nacional terá de dar resposta. Mas Filipe Villa-Boas aconselha aumentos de eficácia.

O sector da fundição debateu, no congresso, o 19º, que realizou em São João da Madeira, a possibilidade de abertura de uma nova frente de interesses para a fundição, consubstanciada na ferrovia. Paulo Duarte, diretor executivo da Plataforma Ferroviária Portuguesa, cluster sectorial de que a Associação Portuguesa de Fundição (APF) faz parte, disse no congresso que “a indústria de fundição é parceira natural do esforço nacional de modernização e expansão da ferrovia”.

Recorde-se que o Plano Ferroviário Nacional, que integra o Programa Nacional de Investimentos 2030, prevê 10 mil milhões de euros de investimento na ferrovia. Para além dos investimentos estruturantes em novas linhas e na requalificação de linhas existentes (Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Lisboa-Faro e modernização das redes urbanas que servem as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto), lembrou Paulo Duate, a CP tem um ambicioso plano de aquisição de automotoras.

Ora, lembrou, a fundição portuguesa “deve estar em condições de responder a esta necessidade do país”, evitando importações e reforçando o enraizamento de um verdadeiro cluster da ferrovia em Portugal.

O presidente das APF, Filipe Villas-Boas, tem algumas dúvidas: “o problema aqui é o ritmo da tramitação dos processos de empreitada, desde a abertura dos concursos à entrega da obra, passando pela contratação e pela execução. Somos capazes e temos tecnologia para responder, mas na ferrovia o fator tempo é muito importante e não podemos querer queimar prazos só para evitar que Portugal tenha de devolver fundos europeus. Temos de ser mais eficientes a planear e mais assertivos a executar”, disse.

Já Miguel Fonseca, administrador da EDP Comercial, abordou a questão do impacto da energia no sector. Neste quadro, lembrou, com as sanções internacionais à Rússia a agravarem a crise energética e de matérias-primas aberta com a invasão da Ucrânia, a União Europeia reforçou as ajudas para que empresas e famílias invistam em energias renováveis e em projetos de eficiência energética.

Paralelamente, a União adotou medidas de redução fiscal às empresas. Com isto, a energia solar, mesmo para clientes como a fundição, ganha acrescido interesse.

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