Fundo de Resolução paga 78 milhões em juros ao Estado e 14 milhões aos bancos

Com os pagamentos hoje realizados, o valor de juros pagos pelo Fundo de Resolução ao Estado, desde 2014, totaliza 691 milhões de euros (incluindo também os juros relativos ao empréstimo obtido em 2015 para o financiamento da resolução do Banif) e o valor de juros pagos aos bancos totaliza 118 milhões.

Cristina Bernardo

O Fundo de Resolução efetuou hoje o pagamento dos juros devidos ao Estado e a um conjunto de instituições de crédito relativamente aos empréstimos obtidos, em 2014, para o financiamento da medida de resolução aplicada ao Banco Espírito Santo. Recorde-se que o empréstimo bancário desse ano foi de 700 milhões de euros.

O valor dos juros pagos ao Estado foi de 78 milhões de euros e aos bancos, foi pago o montante de 14 milhões de euros, refere o fundo liderado por Luís Máximo dos Santos. A taxa de juro aplicável àqueles empréstimos, no ano de 2021, foi de 2%.

O empréstimo concedido pelo Estado ao Fundo de Resolução em 2014 foi de 3.900 milhões de euros porque a recapitalização do Novo Banco, expurgado dos ativos tóxicos do BES, foi de 4.900 milhões de euros. Mas porque o FdR, cujas receitas são as contribuições dos bancos, não tinha fundos teve de receber empréstimo do Estado e da banca. “O empréstimo concedido por sete instituições de crédito (Caixa Geral de Depósitos, Banco Comercial Português, Banco BPI, Banco Santander Totta, Caixa Económica Montepio Geral [Banco Montepio], Banco BIC Português e Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo) foi de 700 milhões de euros”, recorda o FdR.

Com os pagamentos hoje realizados, o valor de juros pagos pelo Fundo de Resolução ao Estado, desde 2014, totaliza 691 milhões de euros (incluindo também os juros relativos ao empréstimo obtido em 2015 para o financiamento da resolução do Banif) e o valor de juros pagos aos bancos totaliza 118 milhões de euros, revela o Fundo.

Recentemente, o presidente do Fundo de Resolução e vice-governador do Banco de Portugal, Luís Máximo dos Santos, em entrevista ao Expresso, revelou que o Estado vai praticamente deixar de receber juros a partir do próximo ano pelos empréstimos que concedeu ao Fundo de Resolução na resolução do BES.

“A descida da taxa é bastante relevante. Em 2020, o Fundo de Resolução pagou cerca de 97 milhões de euros em juros. Em 2021, vai pagar 92 milhões de euros. Em 2022, deve pagar aproximadamente zero. É uma poupança anual superior a 90 milhões de euros, pelo menos durante cinco anos (as taxas são revistas a cada cinco anos)”, disse ao Expresso Luís Máximo dos Santos. O Estado deverá pagar próximo de zero em juros até 2027 já que a primeira revisão dos juros é já no início de 2022.

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