Gabriela Figueiredo Dias aponta falhas à supervisão financeira global “em casos recentes”

“A história recente ilustrou, por outro lado, de um modo bastante eloquente, como as falhas na regulamentação e na supervisão podem originar crises profundas em todo o sector financeiro, bem como severas crises económicas, com óbvios custos sociais”, disse a nova presidente da CMVM.

Gabriela Figueiredo Dias disse hoje na tomada de posse da nova administração da CMVM que é um grande desafio o que “esta missão representa no atual contexto dos mercados e dos constrangimentos com que a CMVM se tem deparado no exercício das suas funções”.

“Os mercados financeiros não atravessam, de facto, momentos pacíficos. Desde a crise financeira de 2007-2008 que a euforia bolsista se esvaiu, os investidores afastam-se, a liquidez reduz-se, a inovação financeira acelera e o mercado perde expressão como fonte de financiamento e de diversificação da poupança. O mercado português tem sido particularmente afetado – e são por isso de louvar as iniciativas propostas para o relançar”, acrescenta a nova presidente da CMVM.
“Às dificuldades e incertezas já acima enunciadas juntam-se um contexto económico deprimido e instável, uma União do Mercado de Capitais em construção, numa Europa ainda a concluir a integração mas com sinais preocupantes de fragmentação, o excesso de regulação e uma reflexão em curso sobre o modelo de supervisão”, refere Gabriela Figueiredo Dias.

Mas a nova presidente da CMVM não deixou de mencionar as falhas de regulação nos casos “recentes”. “A história recente ilustrou, por outro lado, de um modo bastante eloquente, como as falhas na regulamentação e na supervisão podem originar crises profundas em todo o sector financeiro, bem como severas crises económicas, com óbvios custos sociais”, refere a nova presidente da CMVM.

Sem o dizer expressamente, Gabriela Figueiredo Dias faz assim uma crítica implícita à actuação dos reguladores no sector financeiro. Em Portugal os casos recentes foram o BES e do Banif. Mas na Europa os casos do Monte dei Peschi que necessitou de uma injecção de capital em 5 mil milhões de euros e do Deustche Bank que está entre os grandes bancos europeus que enfrentarão maiores exigências de capital quando novas regras bancárias entrarem em vigor nos próximos anos, são alguns exemplos.

No seu discurso de tomada de posse que decorreu hoje de manhã, quarta-feira, no Salão Nobre do Ministério das Finanças, a nova líder da CMVM explicou que “encontramo-nos num momento muito desafiante da história dos mercados financeiros e da economia em geral, a exigir de todos os stakeholders um elevado grau de compromisso e coordenação na prossecução de objetivos que terão de ser partilhados, sob pena de não chegarmos ‘lá'”. Sendo que o ‘lá’ é para Gabriela Figueiredo Dias é “um lugar de estabilidade e profundidade do mercado, mas também de dinamismo, eficiência e atratividade desse mercado; de total transparência nas operações, de ética e de rigor na condução dos negócios e das entidades que os centralizam; e sobretudo, porque é essa a missão central da CMVM, de proteção dos investidores e de incentivo a uma maior maturidade e responsabilidade desses mesmos investidores”.

A proteção e a retoma da confiança dos investidores; a promoção do acesso ao mercado pelos agentes económicos; a colaboração incondicional com os outros supervisores, a nível nacional e internacional; o robustecimento da capacidade de resposta da CMVM, através da reavaliação dos seus modelos de governação interna e de supervisão, foram as prioridades enunciadas pela nova presidente da CMVM.

Para além de Gabriela Figueiredo Dias, também Filomena Oliveira e Rui Pinto tomaram posse hoje.

Recomendadas

Embargo europeu ao petróleo russo: o que esperar? Veja os gráficos da semana no “Mercados em Ação”

Veja os destaques na rubrica “Gráficos da Semana”, da responsabilidade de Marco Silva, consultor de estratégia e investimento, no programa que contou com a análise de Mário Martins, administrador da ActivTrades Brasil.

Mercados fecham em alta e PSI acompanha. Juros soberanos voltam a disparar

A dívida soberana alemã a 10 anos dispara 11,32 pontos base para 1,93% e arrasta consigo os juros dos países periféricos. O mercado de ações valoriza transversalmente na Europa.

Washington sanciona empresas chinesas, uma delas cotada no Nasdaq

Os Estados Unidos impuseram esta sexta-feira sanções económicas a dois dirigentes de firmas chinesas e às suas empresas, uma das quais cotada no índice Nasdaq, acusados de pesca ilegal, trabalho forçado e violações dos direitos humanos.
Comentários