Galp deixa de usar Matosinhos como refinaria em 2021. Operação vai ser concentrada em Sines

A decisão foi hoje anunciada pela petrolífera portuguesa que avança que Matosinhos vai continuar a ser usada somente para a importação, armazenamento e expedição de produtos e que está a “desenvolver as soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo”.

A Galp anunciou hoje que vai encerrar a refinaria de Matosinhos, distrito do Porto e que vai passar a concentrar as suas operações em Sines, distrito de Setúbal.

“Após uma rigorosa avaliação de alternativas, a Galp irá concentrar as suas atividades de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar as operações de refinação em Matosinhos a partir de 2021”, segundo o comunicado da empresa liderada por Carlos Gomes da Silva, garantindo que o “aprovisionamento e a distribuição de combustíveis no país não serão impactados por esta decisão”.

“A Galp continuará a abastecer o mercado regional mantendo a operação das principais instalações de importação, armazenamento e expedição de produtos existentes em Matosinhos, encontrando-se a desenvolver as soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo”, de acordo com a petrolífera, que não revela a quantidade de postos de trabalho que vão ser afetados.

A decisão é justificada pelas “alterações estruturais dos padrões de consumo de produtos petrolíferos, motivados pelo contexto regulatório europeu e pelos efeitos da pandemia Covid-19, originaram um impacto significativo nas atividades industriais de downstream da Galp”.

Esta “reconfiguração” vai permitir uma redução de mais de 90 milhões de euros em custos fixos e investimentos, com o valor contabilístico dos ativos a serem descontinuados a ser de 200 milhões de euros.

Sobre a concentração da operação em Sines, a petrolífera diz que vai focar-se no “aumento da resiliência e competitividade” do complexo industrial, com uma uma capacidade de processamento de crude de 220 mil barris diários e equipado com “unidades de maior conversão, estando em análise inciativas com vista ao aumento da sua eficiência processual e energética, bem como a integração de produção de biocombustíveis avançados e de outros produtos com baixo teor de carbono e maior valor acrescentado”.

“Os investimentos potenciais associados a estas iniciativas poderão ser suportados pelas poupanças da reestruturação em curso e pelos mecanismos de apoio à transição energética”, segundo a empresa.

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