Galp desiste de novas atividades de prospeção a partir de janeiro (com áudio)

O objetivo da Galp é atingir a neutralidade carbónica em 2050. Andy Brown defendeu que a Galp “quer estar um passo à frente” na transição energética, em vez de ser “pressionada pela sociedade e pela regulação”.

Galp CEO Andy Brown speaks during a panel on “Can the energy sector go carbon neutral?” during the second day of the 2021 Web Summit in Lisbon, Portugal, 02 November 2021. More than 40,000 participants participate in the 2021 Web Summit, considered the largest event of startups and technological entrepreneurship in the world, that takes place from 01 to 04 November. ANTONIO COTRIM/LUSA

A Galp vai deixar de desenvolver novas atividades de prospeção de petróleo e gás natural a partir de janeiro, revelou hoje o CEO da petrolífera, Andy Brown.

Num pequeno almoço com empresários e gestores, à margem da Web Summit, o CEO da Galp referiu que a empresa quer ser consequente com as suas afirmações no que diz respeito à transição energética e à viragem para energias mais limpas. Os objetivos da Galp passam por reduzir as emissões de carbono em 40% até 2030 e atingir a neutralidade carbónica em 2050.

Andy Brown defendeu ainda que a Galp “quer estar um passo à frente” na transição energética, em vez de ser “pressionada pela sociedade e pela regulação”.

“Estamos a colocar metade do nosso dinheiro em energias verdes. (…) Creio que somos a primeira grande petrolífera europeia a anunciar publicamente que vai deixar de fazer prospeção de novas reservas”, disse o CEO, acrescentando que isto é possível porque a Galp dispõe ainda de vastas reservas de petróleo e gás natural ainda por explorar em países como Brasil e São Tomé.

“Por outro lado, somos os primeiros porque a Galp quer fazer uma transição rápida. A Galp quer uma redução de 40% no dióxido de carbono que produzimos até 2030. É muito mais rápido do que qualquer outra empresa. Isto significa que queremos fazer esta transição muito rapidamente. A dimensão da Galp, quando comparada com outras empresas, é uma vantagem adicional”, disse Andy Brown.

“Vamos fazer a transição de uma empresa de petróleo e gás para uma empresa que se dedica principalmente às energias limpas. A Galp é uma empresa extremamente bem sucedida na área de exploração e prospeção. Esteve envolvida nas duas maiores descobertas dos últimos 20 anos, nomeadamente no pré-sal no Brasil, em particular no Tupi. E a outra foi nas reservas de gás natural em Moçambique. Foi um grande percurso que agora vai terminar. E é um grande passo para a Galp. Estou a falar de reservas não exploradas em campos não descobertos ainda”, explicou o CEO.

“O que não vamos fazer é assumir novas licenças. Temos dois poços que vamos explorar, um em São Tomé e outro no Brasil, em Campos. Os dois vão entrar em funcionamento no final deste ano. Não significa que não possamos explorar novos poços nas reservas que descobrimos mas sim que não vamos entrar em novas áreas com reservas por explorar”, explicou.

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