Galp vai investir mais de cinco mil milhões no Brasil (com áudio)

A companhia quer investir mais na produção de petróleo, mas também nas energias renováveis.

A Galp anunciou que vai investir cinco mil milhões de dólares (5,2 mil milhões de euros) no Brasil nos próximos 10 a 15 anos.

O objetivo é continuar a investir na produção petrolífera, mas também em energias renováveis, segundo revelou o presidente executivo da Galp em entrevista à “Bloomberg”.

A companhia conta com um ‘pipeline’ de projetos numa potência de 5,4 gigawatts em centrais eólicas e solares. Um dos objetivos é construir centrais solares nos nove estados com maior irradiação solar do país – também conhecidos por ‘solar belt’.

“A força da Galp é a força do seu portefólio de ativos, dos quais a joia da coroa é o Brasil. O nosso objetivo é estar cada vez mais presentes nas renováveis”, disse Andy Brown à agência financeira.

A maioria da produção de petróleo e de gás natural da Galp (mais de 90%) tem origem no Brasil. A companhia tem estado presente na exploração no pré-sal brasileiro desde o início, em conjunto com a Petrobras, parceria que mantém nos campos de Tupi, Atapu e Sépia. Já no campo de Bacalhau opera em conjunto com a norueguesa Equinor, com a produção a arrancar no final de 2024.

O gestor apontou na entrevista que a falta de investimento na produção de petróleo e de gás natural nos últimos anos contribuiu para a falta de oferta atual nos mercados mundiais.

Depois da invasão da Ucrânia, a União Europeia está a tentar encontrar novos fornecedores para fugir à dependência da Rússia.

“Como indústria, fomos encorajados a não gastar dinheiro em petróleo e em gás porque [o sector] foi de alguma forma demonizado. Todas as grandes petrolíferas europeias estão a fazer o mesmo, a gastar menos a desenvolver recursos petrolíferos”, afirmou Brown.

A Galp tem investido por ano cerca de mil milhões de euros. Em termos de metas, espera atingir os quatro gigawatts de renováveis até 2025, face aos 1,2 gigawatts atuais.

O gestor disse que viajou recentemente para a Nigéria, onde problemas tem constrangido os fornecimentos de gás natural. A viagem teve como objetivo obter garantias das autoridades de que Portugal iria obter gás suficiente para o próximo inverno. Cerca de metade do gás consumido em Portugal tem origem na Nigéria.

O presidente da energética defende que a Europa não vai conseguir sobreviver o próximo inverno somente com base no gás armazenado, sendo necessário manter o fluxo de gás dos fornecedores. “Estamos a ver na Europa muitos negócios a fecharem. A maioria da produção de fertilizantes está atualmente fechada”, indicou.

A Galp está atualmente a descer 1,17% na bolsa de Lisboa para 9,44 euros. A cotada valorizou mais de 3% no espaço de um ano.

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