GameStop: a ascensão fulminante que deixou o mercado em alvoroço

O acontecimento que abalou os mercados financeiros nos últimos dias é inédito. A atenção vai quase toda para a GME – GameStop, uma ação de uma empresa relacionada com a compra/venda de videojogos que se encontrava perto da falência.

 

O acontecimento que abalou os mercados financeiros nos últimos dias é inédito. A atenção vai quase toda para a GME – GameStop, uma ação de uma empresa relacionada com a compra/venda de videojogos que se encontrava perto da falência. (Para acompanhar a cotação do ativo instale aqui a premiada plataforma de trading da XTB.)

Desde o dia 12 de Janeiro que as ações passaram dos $14 para $380 em poucos dias, ontem a explosão no preço continuava encontrando o seu valor máximo perto dos $480, pouco depois sofrendo uma forte correção chegando a cotar perto dos $50 novamente.

Mas o que fez com que houvesse estas grandes valorizações? Ou esta grande correção? O que despoletou estes movimentos agressivos?

No mercado de ações existe a opção de compra e a opção de short-selling. O short-selling é uma venda a descoberto, portanto alguém vende uma ação que não tem, assumindo que a vai comprar mais barata no futuro para devolver a quem lhe a emprestou (neste caso será a corretora). Para este tipo de operação é preciso ter uma margem de segurança, que quando a mesma chega ao limite (no caso de ação subir em vez de descer), chamada a margin call, a posição não pode ser mais segurada e o “short-seller” é obrigado a comprar ação no mercado para devolver a quem lhe emprestou.

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Foi então que um grupo do Reddit (r/wallstreetbets)teve a ideia de juntar o máximo de pessoas possíveis, escolhendo as ações com mais posições de short-selling do mercado com o objetivo de subir o preço das ações. Se todos comprassem e ninguém vendesse, este movimento faria subir o preço das ações e à medida que o preço das ações subisse, mais shorts levariam a margin call, puxando ainda mais o preço para cima realizando um short squeeze.

O grupo já conta com mais de 5 milhões de pessoas, de mais de 100 nacionalidades. Assim, pequenos investidores de retalho conseguiriam derrubar fundos de investimento. Este movimento de revolta ganhou escala e à medida que o preço da GameStop subia, mais pessoas se juntavam ao movimento. Entretanto houve mais empresas que ficaram na mira dos investidores como a AMC e a Blackberry. O critério têm que ver com a percentagem de volume de “short interest” (percentagem de shortselling que em alguns casos como, GME excedia os 100%).

 

Se o grupo comprar em massa e ninguém vender, a cada compra o prejuízo é maior para os shortsellers uma vez que terão que pagar cada vez mais para saldar as posições. Como as perdas são teoricamente ilimitadas instalou-se o pânico nos shortsellers que correm para comprar e devolver as ações antes que o preço dispare mais e tenham que pagar ainda mais.

O movimento ganhou tal escala que várias pessoas foram comentando o acontecimento, como Elon Musk, a representante Alexandra Ocasio-Cortez, o senador Ted Cruz, que comentaram o sucedido, parecendo concordar com o facto de milhões de investidores de retalho conseguirem derrubar gigantes como os fundos de investimento. Neste tipo de estratégia o objetivo é apenas que os pequenos investidores não vendam as suas ações até que chegue a um máximo acordado, ou aquele máximo onde quase já não existam posições de short-selling.

Isto levou a que vários fundos se questionassem quanto a este tipo de prática, a regulação americana SEC também foi confrontada com a situação e mesmo a corretora RobinHood entre outras proíbiram/limitaram esta quinta-feira novas aquisições de ações. Medidas que parecem injustas para o investidor de retalho, pois o problema que poderemos questionar é se o mercado pode ter short-selling, porque não é possível milhões de pessoas comprarem de forma coordenada uma empresa (isto apesar de como sabemos, práticas de pump and dump serem reguladas pela SEC. Algo que se o mercado fosse eficiente resolveria de forma automática.

Posteriormente põe-se a questão ética, pois estes grupos de investimento ganham milhões  todos os anos “shortando” empresas, criando medo nos investidores, lançando notícias falsas, derrubando as suas ações para obter lucros e, por fim, destruindo as empresas e os pequenos investidores de retalho. Algo que deixou os utilizadores do grupo em fúria e foi esse o motivo principal que levou à criação deste movimento.

Este acontecimento foi histórico, pois nunca tinha acontecido tal coisa a começar a partir de investidores de retalho. Uma coordenação assim e o montante de capital investido foi algo que não podia ser imaginado. Várias corretoras de todo mundo sofreram delays nas suas negociações dado a quantidade de ordens que eram colocadas por segundo. A GME foi durante 2 dias a ação mais negociada em todo mundo, superando a Apple ou o Facebook.

Será um acontecimento para estudar em detalhe no futuro por académicos. E como já aconteceu, a probabilidade de voltar a acontecer aumenta, dado que todos os dias estão a entrar novos pequenos investidores que se identificam e querem participar.

Em relação ao risco, estes tipos de operações levam a níveis de perigo incalculáveis, digamos que isto não se trata de um investimento, mas sim uma crença, um princípio, um movimento de massas.

Concluindo, algo com tamanha volatilidade pode levar a perdas avultadas para quem se expõe a este tipo de situações.

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Vítor Madeira, Senior Manager na XTB

 

 

Este conteúdo patrocinado foi produzido em colaboração com a XTB.

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