Gastos dos turistas estrangeiros em Portugal com quebra homóloga de 57% em novembro

O indicador preliminar das viagens e turismo da balança de pagamentos revela que esta tendência de queda foi igualmente observada entre os gastos dos turistas portugueses do estrangeiro que terão caído 47% em novembro, face ao mesmo mês do ano passado, e acima do recuo homólogo de 38% registado em outubro.

Os gastos com viagens e turismo por parte dos turistas estrangeiros em Portugal, em novembro, terão registado uma queda homóloga de 57%, depois de em outubro terem recuado 56%, segundo dados provisórios hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).

O indicador preliminar das viagens e turismo da balança de pagamentos revela que esta tendência de queda foi igualmente observada entre os gastos dos turistas portugueses do estrangeiro que terão caído 47% em novembro, face ao mesmo mês do ano passado, e acima do recuo homólogo de 38% registado em outubro.

“Em novembro, o indicador preliminar das viagens e turismo da balança de pagamentos aponta para uma queda de 57% nas exportações [gastos efetuados por não residentes em Portugal no âmbito de uma viagem ou estadia em Portugal] e de 47% nas importações [gastos efetuados por residentes em Portugal durante as suas estadias no exterior], face a novembro de 2019”, refere o BdP.

A mesma informação adianta que “o indicador aponta assim para um agravamento das exportações e importações de turismo que, em outubro de 2020 tinham caído, respetivamente, 56% e 38% face a outubro de 2019”.

Entre os gastos considerados (tanto no domínio das exportações como das importações) estão, por exemplo, despesas em alojamento, serviços de alimentação e restauração, culturais e de lazer, entre outros.

Estes dados vêm juntar-se ao leque de números negativos que o setor do turismo tem registado ao longo de 2020, por cauda da pandemia de covid-19, e que se seguem a um ano em que Portugal bateu recordes.

Em janeiro deste ano, o Governo apontava para receitas turísticas de 18,1 mil milhões de euros, acima dos 16,8 mil milhões de euros do ano anterior, e a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) a prever a abertura de 51 novos hotéis em 2020.

Mas, a partir de março, com o primeiro caso registado de covid-19 em Portugal e o início do confinamento, as companhias aéreas praticamente pararam e, sem clientes, os hotéis, alojamentos, restaurantes e outras atividades do setor reduziram a atividade ou encerraram.

Cerca de 80% dos titulares e gestores de alojamento local (AL) registaram uma queda de faturação superior a 75% durante o segundo trimestre de 2020, face ao mesmo período do ano anterior, segundo um estudo do ISCTE, divulgado em novembro.

Já o presidente da AHP, Raul Martins, estimou em outubro que a perda de receitas dos hotéis nacionais em 2020 possa ser superior a 3,6 mil milhões de euros.

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