Geoeconomia do alumínio: um metal estratégico

A importância do alumínio na economia mundial não para de crescer. Quem controla esta matéria-prima essencial? E quem dela depende? Qual o papel de Portugal neste mercado estratégico?

O alumínio é um metal não ferroso cujas características de maleabilidade, resistência à corrosão e baixa densidade, bem como a facilidade de se fundir com outros, formando ligas, tornam-no numa matéria-prima indispensável para muitas indústrias estratégicas como a construção de foguetões e de aviões, incluindo os de uso militar.

O seu emprego espalha-se por produtos tão diversos como caixilhos para portas e janelas, embalagens, ferramentas, estruturas e mastros de barcos, vários componentes de computadores, bicicletas, fios de alta tensão (em liga com o cobre), tintas especiais, utensílios de cozinha, moedas, instrumentos musicais, etc..

Com tão largo espetro de utilização não admira que os países mais industrializados sejam os maiores consumidores de alumínio e os que procuram mais ativamente garantir o seu abastecimento deste precioso metal.

 

Bauxite: O minério do alumínio

A bauxite é a principal fonte de alumínio. Deste minério é extraído através de processo químico o óxido de alumínio, também designado alumina que, por sua vez, submetido ao processo de Hall-Héroult, se converte em alumínio metálico. O óxido de alumínio pode ser utilizado diretamente em diversas aplicações, como na produção de abrasivos e de vidros especiais.

Apesar de o alumínio ser o metal mais abundante no mundo, as fontes de exploração da bauxite estão extremamente concentradas. A Austrália (35%) e a China (20%) representam mais de metade da extração mundial deste minério.

Se a estes dois países somarmos os oito seguintes: Brasil (13%), Guiné (8%), Índia (8%), Jamaica (4%), Cazaquistão (2,5%), Rússia (2,3%), Suriname (1,2%) e Venezuela (1%), verificamos que mais de 95% da produção mundial está concentrada em apenas dez países.

 

Óxido de alumínio 

Os maiores importadores de óxido de alumínio são a China (13% das importações mundiais), a Rússia (9,4%), o Canadá (8,3%) e os EUA (6,2%), sendo os maiores exportadores a Austrália (26% das exportações mundiais), o Brasil (18%), a China (6,1%), os EUA (6,7%), a Irlanda (5%), a Alemanha (5%), a Jamaica (4,4%), a Índia (4%) e a Ucrânia (3,3%). Note-se que tanto a China como os EUA são simultaneamente grandes importadores e exportadores. Este comércio faz-se essencialmente por mar, dependendo largamente da segurança marítima no Pacífico e no Atlântico.

Os EUA procuram diversificar as suas compras e fazê-las perto de casa, evitando depender de um grande exportador. O Suriname, pequeno país da América Latina e antiga colónia holandesa, é o maior exportador de óxido de alumínio para os EUA, logo seguido da Austrália, Jamaica, Brasil e Alemanha. Os portos de entrada do produto encontram-se todos na Costa Leste, sendo o principal o de Nova Orleães, seguido dos de Charleston e de Baltimore.

 

Alumínio: um metal precioso

A China produz metade do alumínio do mundo, seguida a grande distância da Rússia (7% da produção mundial), Canadá (6%), Emirados Árabes (5%), Índia (4%), EUA (4%), Austrália (3,5%), Noruega (3%) e Brasil (2%).

A produção de alumínio é altamente consumidora de eletricidade, correspondendo entre 20% a 40% do custo do produto final. Países com baixo custo de energia têm, pois, forte vantagem competitiva neste mercado. A presença de bauxite e a energia barata determinam o volume de exportações de alumínio de cada país.

Vemos assim que grandes extratores de bauxite como a Austrália e o Brasil não o convertem massivamente em alumínio porque não têm acesso a energia barata; e que grandes importadores de óxido de alumínio com acesso a energia barata, como a Rússia, os Emirados, a Noruega, etc., o convertem depois em alumínio para exportação.

Quem compra o alumínio final são os países industrializados que o utilizam. Os EUA surgem à cabeça, seguidos pela Alemanha, Japão, Holanda, China, França, Coreia do Sul, Itália, México e Reino Unido. Quem vende são os países com baixo custo de energia. A Rússia é o maior exportador mundial, seguida do Canadá e da Austrália e depois, já a grande distância, da Noruega e da Holanda.

A China, dada a vastidão da sua máquina industrial, é simultaneamente grande extratora de bauxite e maior produtora mundial, além de importadora quer de óxido de alumínio quer de alumínio.

 

Conclusão

O alumínio é um metal estratégico, uma vez que é utilizado profusamente quer nas indústrias tradicionais, quer nas indústrias de ponta. O mercado de extração da matéria-prima, a bauxite, é dominado por três países: Austrália, China e Brasil. Mas a produção de alumínio exige muita energia, pelo que os países com acesso a energia barata têm vantagem. Assim, a produção final de alumínio é totalmente dominada pela China, que concentra cerca de metade do total mundial. Países como a Rússia, Canadá e Emirados surgem como produtores de segunda ordem, a par com a Índia e os EUA; a Austrália e o Brasil apenas jogam na terceira divisão.

Os grandes consumidores de alumínio são os países industrializados com a China à cabeça, mas os restantes convertem-se em grandes importadores desta matéria-prima. Aí temos os EUA, a Alemanha, a França e a Itália. Assistimos novamente à emergência da China no domínio de uma matéria-prima essencial à economia mundial, e à dependência europeia sem grandes alternativas de abastecimento que não estejam a Leste, já que a Austrália e o Canadá estão distantes e dão preferência ao mercado chinês e americano.

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