Goldman Sachs prevê uma recessão na zona euro na segunda metade do ano

O banco norte-americano projeta agora que o terceiro trimestre feche com uma contração de 0,1% e o quarto com 0,2%, dado o peso da questão energética, a normalização monetária em curso e o esgotar do ímpeto dado pela reabertura da economia.

NEW YORK – APRIL 27: Financial professionals sit in the Goldman Sachs booth on the floor of the New York Stock Exchange watch a television showing market news April 27, 2010 in New York City. U.S. stocks dropped sharply April 27 after Standard & Poor’s downgraded the debt of Greece and Portugal, sending the Dow Jones industrial average down more than 200 points. (Photo by Chris Hondros/Getty Images)

A Goldman Sachs projeta uma recessão na zona euro no segundo semestre do ano, face à deterioração de perspetivas económicas, à medida que a inflação continua a subir, a possibilidade de racionamento de gás natural se torna mais provável e se perde o ímpeto dado pela reabertura da economia depois das restrições pandémicas.

O banco norte-americano projeta agora que o terceiro trimestre feche com uma contração de 0,1%, à qual se seguirá nova redução do PIB no trimestre final do ano, de 0,2%.

Os valores dos índices de gestores de compras (PMI) divulgados em julho pintam um cenário negro na economia da moeda única, motivado sobretudo por uma queda esperada do crescimento alemão. Este será causado por um enfraquecimento da atividade industrial, mas também por um abrandamento da recuperação dos serviços, que vinham mostrando uma vitalidade acrescida com o levantamento da maioria das regras de contenção Covid-19.

A isto acresce a questão da energia, com a dependência do gás natural russo a apresentar-se como uma vulnerabilidade para a economia europeia.

O Goldman Sachs estima que um fluxo de 40% dos fornecimentos previstos de gás vindos da Rússia representará “um atraso substancial” na capacidade produtiva da zona euro, ao passo que um corte para 20% do fluxo ou até mesmo uma interrupção total do abastecimento levará a “uma recessão aguda” estimada entre 1,2% e 1,7% do PIB.

Para Alemanha e Itália, este cenário seria particularmente gravoso, com perdas projetadas de 1,7% a 3,2% no caso germânico e de 2,6% a 4,1% para Itália.

A inflação é vista como outro risco, tendo também já levado a um apertar das condições monetárias pelo Banco Central Europeu, algo que pesará no tecido produtivo europeu.

A normalização da política monetária na zona euro pode aprofundar a recessão estimada pelo Goldman Sachs, alerta o banco, bem como despoletar uma nova crise das dívidas soberanas, embora neste último capítulo a criação do mecanismo antifragmentação confira alguma segurança.

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