Gomes Cravinho diz que UE tem dificuldade em identificar à distância e agir com urgência

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, admitiu esta segunda-feira que existe alguma complacência na União Europeia na hora de agir em áreas de importância vital, como as alterações climáticas e a desagregação do direito internacional.

João Gomes Cravinho, Ministério dos Negócios Estrangeiros. Foto: Oficial Governo

A União Europeia (UE) é capaz de responder de forma capaz a várias crises, e houve vários exemplos nos últimos anos, mas “somos muito menos capazes de identificar à distância o que temos de fazer, onde temos de estar à frente”, disse Gomes Cravinho no Bled Strategic Forum, que decorre na Eslovénia.

“A Ucrânia é um exemplo óbvio”, admitiu o ministro, referindo que os países mais próximos da Ucrânia “leem [Vladimir] Putin”, o Presidente russo, muito melhor do que a UE.

Salvaguardou, contudo, em relação à invasão russa da Ucrânia, que esteve na Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro, uma semana antes da invasão, e a opinião da maioria dos políticos e especialistas era que seria “muito, muito improvável, que ele [Putin] fosse invadir”.

Questionado se há falta de vontade de olhar para o horizonte com o tipo de urgência que é necessária, Gomes Cravinho reconheceu que nalgumas áreas é o que acontece.

“Temos áreas de complacência, em domínios que são de importância vital para nós. As alterações climáticas, a desagregação do direito internacional, a ordem internacional multilateral, são vitais para a União Europeia e temos de nos concentrar muito mais neles”, sublinhou Gomes Cravinho.

Ainda em relação à Ucrânia, o chefe da diplomacia portuguesa sustentou que perante a situação, a UE “percorreu um caminho extraordinariamente longo” com os pacotes de sanções adotadas, mas não foi ainda “suficientemente longe” em áreas como a energia.

“Não respondemos adequadamente porque cada país procura as suas soluções energéticas imediatas, o que é natural”, explicou.

“Portanto, temos uma série de áreas que ainda mostram a nossa dificuldade em pensar estrategicamente, exceto quando não temos absolutamente nenhuma alternativa”, declarou Gomes Cravinho, que falava no painel “Quantas europas na Europa”, juntamente com os homólogos de Espanha, França, Turquia, Eslovénia, Islândia, Polónia e Áustria.

O Bled Strategic Forum, que decorre na Eslovénia, é uma conferência internacional que procura encontrar soluções inovadoras para os desafios políticos, de segurança, estratégicos e de desenvolvimento, contemporâneos e futuros e que este ano é dedicado à guerra na Ucrânia e à crise do multilateralismo.

Recomendadas

Irão: Guarda Revolucionária ataca grupos curdos no Iraque

A poderosa Guarda Revolucionária do Irão desencadeou hoje uma onda de ataques com ‘drones’ e artilharia no norte do Iraque, visando o que Teerão diz serem bases de separatistas curdos iranianos, indicou agência noticiosa semioficial Tasnim.

António Guterres pede fim da “era da chantagem nuclear” e apela a “recuo”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou hoje ao fim da “era da chantagem nuclear”, afirmando que o uso de armas nucleares levaria a um “armageddon humanitário”, tornando necessário um “recuo” face às atuais tensões.

Ucrânia. Reino Unido sanciona organizadores de “referendos fraudulentos”

O Reino Unido anunciou hoje sanções contra 33 indivíduos ligados a “referendos fraudulentos” sobre a integração na Rússia de regiões da Ucrânia sob ocupação russa.
Comentários