Gomes Cravinho: Portugal “vai reabrir embaixada em Kiev”

Em reunião com os deputados sobre o OE22, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou que o país voltará à capital da Ucrânia e que o primeiro-ministro visitará a cidade, sem especificar a data. O ministério que agora dirige quer reforçar a rede consular ao longo de 2022.

Cristina Bernardo

O Governo português vai reabrir em breve a sua embaixada em Kiev, capital da Ucrânia, seguindo assim o exemplo de alguns países – que nas últimas semanas decidiram regressar, como mais uma forma explícita de apoio, ao país, num momento em que a invasão russa não dá qualquer mostra de abrandamento.

A abertura da embaixada foi revelada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, durante a audiência da Comissão Conjunta das Finanças, Economia e Negócios Estrangeiros – no âmbito do debate em torno do Orçamento do Estado para 2022.

Cravinho não quis, contudo, comprometer-se com uma data: a reabertura dar-se-á “no momento certo”, disse. Antes disso, seguira para Kiev uma “equipa que vai procurar as condições de segurança” necessárias para que essa reabertura seja feita. Mas o ministro não quis revelar, “por razões de segurança”, que tipo de espaço irá ser procurado pela equipa.

Cravinho revelou ainda que o primeiro-ministro, António Costa, prevê visitar pessoalmente a Ucrânia – sem que haja para já uma data, ao menos indicativa. Para João Gomes Cravinho, “a data não está fechada” e também não parece haver uma pressa na organização da visita. “A Ucrânia não tem qualquer dúvida sobre a solidariedade de Portugal” face ao povo ucraniano nem em relação à posição face a a Moscovo, pelo que, “apesar do mediatismo destas visitas”, não há nenhuma pressão relativa à sua realização.

A Comissão reuniu a propósito do Orçamento do Estado, mas os deputados presentes fizeram derivar o grosso do debate para questões que tinham diretamente a ver com a Ucrânia e com a invasão russa. Gomes Cravinho mostrou-se pouco aberto a acrescentar pormenores àquilo que se vai sabendo ao cabo de mais de seis dezenas de dias de guerra.

Quanto ao orçamento propriamente dito, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse que “a proposta do Governo é [no caso deste Ministério] de continuidade” e não de qualquer rutura. Apesar disso, frisou, há “um reforço orçamental” que considera suficiente para atender às necessidades da pasta que agora dirige, depois de na legislatura anterior ter liderado o Ministério da Defesa. A saída de Augusto Santos Silva, atual presidente do parlamento, abriu-lhe as portas do regresso à casa de onde é originário.

Mesmo assim, Gomes Cravinho especificou que uma das prioridades do seu ministério para o ano em curso é o do “reforço da rede consular” – que terá trabalho redobrado face aos serviços gerais que se foram acumulando no extenso período da pandemia de Covid-19.

Recomendadas

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta quarta-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta quarta-feira.

Marcelo diz que vai enviar lei dos metadados para o Constitucional

Fiscalização preventiva vai servir para não “haver dúvidas depois”. “É melhor ficar tudo clarinho”, defendeu o Presidente.

Um Governo em suspenso à espera de oposição. Ouça o podcast “Maquiavel para Principiantes” de Rui Calafate

“Maquiavel para Principiantes”, o podcast semanal do JE da autoria do especialista em comunicação e cronista do “Jornal Económico”, Rui Calafate, pode ser ouvido em plataformas multimédia como Apple Podcasts e Spotify.
Comentários