Especial Vinhos 2018: Gostar de vinho e a sorte de viver em Portugal

Não conheço nenhum outro país onde um vinho de entrada que custe entre os três euros e cinco euros, por exemplo, seja tão bom como em Portugal.

Num país onde a quantidade imperava sobre a qualidade, a entrada de Portugal na Comunidade Europeia em 1986 veio provocar uma verdadeira revolução na vitivinicultura nacional. A reviravolta foi grande: aproveitaram-se fundos para replantar vinhas, surgiram novos produtores e marcas de vinho, novas técnicas de viticultura foram introduzidas, as adegas modernizaram-se e os enólogos trouxeram novos e aprofundados conhecimentos de outros países. O resultado destes investimentos tinha obviamente de passar por um aumento de qualidade, hoje bem visível e comprovada pelos apreciadores de vinho, que bem podem esfregar as mãos de contentes pelo facto de viverem em Portugal onde o vinho é bom e barato.

A maioria dos portugueses reclama quando o preço dos vinhos ultrapassa a fasquia dos cinco euros (às vezes até menos). E, se falarmos de um topo de gama, ainda pior. Reclama sem perceber a sorte que tem em viver num país onde ainda se pode beber (e comer) bem e barato. Não conheço nenhum outro país onde um vinho de entrada que custe entre os três euros e cinco euros, por exemplo, seja tão bom como em Portugal. Ou onde um vinho de topo possa custar entre 50 euros e 100 euros, por exemplo, quando noutros países a mesma gama de vinho custa duas ou três vezes mais. Isto sem falar nos grandes vinhos franceses, que custam uma verdadeira fortuna (por comparação, a colheita mais recente do Barca Velha, o nosso vinho mais caro, ronda os 400 euros a garrafa, e a de Château Petrus, o vinho mais caro de Bordéus, França, ronda os três mil euros). E já nem falo dos leilões de raridades. Temos sorte, então. Em Portugal podemos todos beber vinho. Pode não ser todos os dias, mas sem dúvida que o vinho é mil vezes mais acessível a todos do que noutros países.

Quero com isto dizer que o vinho português não é caro; os portugueses é que não têm dinheiro. É aí que reside o problema! Se em conversa dissermos o valor de alguns dos nossos bons vinhos a um inglês ou a um americano, por exemplo, eles começam-se a rir. Pior que ficarem a rir, é Portugal ficar com a sua imagem prejudicada por sermos tão baratos.

O ideal? Era continuarmos cá dentro a ter os nossos vinhos a preços acessíveis, mas vendermos lá fora muito mais caro. Porque são vinhos bons demais para serem vendidos a um preço tão baixo, em comparação com outros países que oferecem menor qualidade por um preço sempre mais alto. Haverá solução para isto? Enquanto os produtores portugueses não acreditarem na qualidade dos seus vinhos, os venderem a baixo preço e não adoptarem uma postura mais activa, confiante e agressiva no mercado internacional, o caso está muito mal parado. E não é só com feirinhas que vão lá. Há que fazer contactos directos com distribuidores, restaurantes, garrafeiras e outras superfícies comerciais, pesquisar e inventar outras formas de promover o produto. Não estar parado à espera que os clientes lhes caiam no colo. Haja profissionalismo, capacidade de trabalho e perseverança para chegarmos a bom porto.

As recomendações de Maria João de Almeida:

Melhor vinho varietal tinto

 

Vinho: Villa Oliveira Touriga Nacional 2014
Região: Dão
Produtor: Casa da Passarella
(O Abrigo da Passarella)
Casta(s): Touriga Nacional
Grau: 14º
Enólogo(s)/a(s): Paulo Nunes

Melhor vinho Licoroso

 

 

Vinho: DR Porto 30 anos
Região: Douro
Produtor: Agri-Roncão Vinícola, Lda
Casta(s): Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Grau: 20º
Enólogo(s)/a(s): Luís Rodrigues

Melhor vinho varietal branco

 

Vinho: Aveleda Reserva da Família Alvarinho 2016
Região: Minho
Produtor: Aveleda, SA
Casta(s): Alvarinho
Grau: 12,5º
Enólogo(s)/a(s): Manuel Soares e Denis Dubourdieu

Melhor vinho tinto

Vinho: Passadouro Reserva Tinto 2015
Região: Douro
Produtor: Quinta do Passadouro, Sociedade Agrícola, Lda
Casta(s): Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Franca, Touriga Nacional, Sousão
Grau: 12,5º
Enólogo(s)/a(s): Jorge Serôdio Borges

Melhor vinho branco

Vinho: Esporão Private Selection 2016
Região: Alentejo
Produtor: Esporão Vendas
& Marketing
Casta(s): Semillon
Grau: 14º
Enólogo(s)/a(s): David Baverstock
e Sandra Alves

Melhor vinho espumante

Vinho: Marquês de Marialva Extra Bruto Cuvée 2012
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Casta(s): Arinto(85%), Baga (15%)
Grau: 12,5º
Enólogo(s)/a(s): Osvaldo Amado

Melhor vinho relação qualidade/preço

Vinho: Cabeça de Toiro Reserva Tinto 2013
Região: Tejo
Produtor: Enoport (Caves Velhas)
Casta(s): Touriga Nacional, Castelão
Grau: 13,5º
Enólogo(s)/a(s): Carlos Eduardo

Recomendadas

Aprovação do plano da PAC confirma “más notícias” para agricultura familiar

“Com a aprovação do PEPAC para Portugal, a aplicar no período 2023-2027, confirmam-se as más notícias para a agricultura familiar, para os consumidores e para o ambiente”, apontou, em comunicado, a CNA.

Bruxelas dá ‘luz verde’ ao plano estratégico português de 6.700 milhões para PAC

“Hoje [quarta-feira] a Comissão Europeia aprovou o primeiro pacote de planos estratégicos da PAC para sete países: Dinamarca, Finlândia, França, Irlanda, Polónia, Portugal e Espanha”, anuncia o executivo comunitário em comunicado hoje divulgado.

Exportações dos Vinhos do Alentejo sobem para 37,1 milhões de euros

“Brasil, Estados Unidos da América, Canadá, Polónia e Suíça foram os destinos que mais contribuíram para os resultados positivos alcançados”, disse o presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.
Comentários