Governador do BdP alerta para relação de espiral entre salários e inflação

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, alertou hoje para os efeitos que o aumento dos preços pode ter nos salários e a sua interligação, querendo evitar “espirais” de subidas mútuas.

mario_centeno_banco_de_portugal_1
José Sena Goulão/Lusa

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, alertou hoje para os efeitos que o aumento dos preços pode ter nos salários e a sua interligação, querendo evitar “espirais” de subidas mútuas.

“A preocupação é genérica, e tem a ver precisamente com esta preocupação sobre a dinâmica nos preços e aquilo que nós sabemos, já há muito tempo, de qual é o impacto dos preços no bem-estar dos agentes económicos, em particular quando esses preços sobem de forma muito marcada”, disse hoje aos jornalistas em conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico de dezembro, que decorreu hoje no Museu do Dinheiro, em Lisboa.

O governador considerou que “espirais em que os preços são alimentados por aumentos salariais, que por sua vez retroalimentam-se uns aos outro, não são desejáveis e devem ser, obviamente, evitados”.

Quanto a riscos de a inflação vir a ser superior ao estimado, Mário Centeno reconheceu que “ele existe, por isso é que o balanço dos riscos para a área do euro, na inflação que está identificada, é um risco em alta”.

O governador do BdP disse que à escala europeia continuam a “existir riscos idênticos” aos identificados para Portugal, “que têm a ver com o risco de transmissão dos custos de produção aos preços finais”.

“Um banco central não pode, nunca, deixar de estar preocupado, com efeitos de segunda ordem sobre os salários”, disse também.

Anteriormente, Mário Centeno já tinha considerado “evidente que os salários são sempre uma fonte de preocupação no sentido da dinâmica que podem incutir aos preços”.

“Nós não vemos essa dinâmica, neste momento, acontecer nem na área do euro nem em Portugal”, afirmou, mas reforçou que devem ser sinalizadas “as possíveis fontes de possíveis pressões que se possam colocar”.

“Seguramente aquilo que é a evolução e a dinâmica incutida ao salário mínimo pode ter esse efeito negativo no indicador da inflação, e é isso que sinalizamos”, afirmou o governador do BdP, remetendo para o Boletim Económico.

No texto, o BdP assinala que “eventuais aumentos do salário mínimo em 2023-24 constituem também um risco em alta para a inflação”.

Relacionadas

Previsões do BdP confirmam que eleições não colocam em causa confiança, defende Leão

O BdP previu hoje um crescimento de 5,8% da economia em 2022, igualando as previsões mais otimistas, mantendo ainda a previsão de 4,8% para este ano.

BdP melhora projeções de crescimento para 2022 e 2023

Banco de Portugal prevê um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,8% e de 3,1% em 2022 e 2023. Regulador alerta que a evolução da atividade é condicionada no curto prazo por uma nova vaga da pandemia na Europa e pelos problemas nas cadeias de fornecimento globais.

Centeno diz que país tem “dois a três anos” para corrigir aumento da despesa e da dívida

Governador do Banco de Portugal assinala necessidade de “transição face àquilo que foi o esforço das administrações públicas” durante a pandemia, apontando “dois a três anos” para ser concretizada.
Recomendadas

OE2022. Pagamentos em atraso sobem para 778,1 milhões até agosto

Os pagamentos em atraso das entidades públicas atingiram os 778,1 milhões de euros em agosto, um aumento em 157,6 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior, avançou esta segunda-feira a Direção-Geral do Orçamento (DGO).

OE2022. Receita fiscal do Estado aumenta 22,8% até agosto para 33,5 mil milhões

A receita fiscal do Estado aumentou 22,8% até agosto face ao mesmo período do ano passado, totalizando 33.511,5 milhões de euros, segundo a Síntese da Execução Orçamental divulgada esta segunda-feira.

OE2022. Resposta à Covid-19 custou ao Estado 2.835,2 milhões até agosto

A resposta à covid-19 custou 2.835,2 milhões de euros até agosto, devido à perda de receita em 464,5 milhões de euros e ao aumento da despesa em 2.370,7 milhões, avançou esta segunda-feira a Direção-Geral do Orçamento (DGO).
Comentários