Xeque-mate ao governador do Banco de Portugal?

Catarina Martins, a líder do Bloco de Esquerda, impõe como condição ao PS para votar o Orçamento do Estado Retificativo, a redução dos poderes do Banco de Portugal. Será xeque-mate para Carlos Costa, o governador do banco central?


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A mesma linha de ideia foi avançada por analistas políticos quando se levantaram vozes para viabilizar uma comissão de inquérito ao caso Banif, uma situação que ainda ficou mais clara quando a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, lançou uma violenta farpa à atuação do BdP e do seu governador no caso, através da entrevista dada na noite passada à TVI 24.

Ainda dentro das exigências do Bloco para assinar por baixo o Orçamento Retificativo está a exigência de uma nova resolução bancária que reforce a intervenção do Governo e, logo, reduza os poderes do banco central; ou ainda a exigência de passar os destinos do Fundo de Resolução, que é dirigido pelo BdP, para as mãos do Governo.

Também o PCP não vai abrir mão de alguns princípios na questão Banif: recusa ceder na injeção de mais fundos públicos e por isso não irá aprovar o OE Retificativo e faz acuações ao anterior Governo e também à atuação do Banco de Portugal. João Oliveira dissera numa conferência de imprensa no parlamento: “Não podemos admitir que os portugueses possam ser responsabilizados pela situação que foi criada no Banif”.

Entretanto, o líder do PSD e ex-primeiro-ministro, Passos Coelho, deixou um elogio velado ao seu sucessor quando afirmou que não faria diferente no caso Banif. Estas declarações feitas aos jornalistas dão alguma segurança ao Governo PS de que o Retificativo passará, mesmo com o voto contrário do PCP, bastando que PSD se abstenha.

Em simultâneo, os balcões do Banif estão a mudar os logos para Santander, tendo a operação começado pela sede do Banif, na Malhoa. A administração do Banif liderada por Jorge Tomé, demarcou-se da operação de resolução afirmando, em carta enviada aos trabalhadores, que o CA “não foi ouvido nem incluído nas negociações”.

Reafirmaram que a opção encontrada pelas Autoridades “não é a solução deste Conselho de Administração”. A carta citada pela Lusa é também uma carta de despedida, pois todo o Conselho de Administração do Banif cessou funções no passado domingo.

Refere a carta de Jorge Tomé que a administração “lamenta que todos os esforços desenvolvidos não tenham sido suficientes para dotar o Banif de uma estrutura acionista estável”. Em causa vão estar boa parte dos 1600 trabalhadores da instituição, metade dos quais afetos ao backoffice.

O futuro é incerto e o modelo de racionalização que o Santander Totta vier a aplicar irá implicar o fecho de balcões e menos pessoas. A falta de confiança no banco, depois da noticia numa televisão, significou o levantamento e/ou transferência de cerca de 900 milhões de euros de depósitos numa única semana. Daqui decorrem críticas ao governador do Banco de Portugal por não ter atuado mais cedo.

O próprio BCE deu ordens para retirar ao Banif o estatuto de contraparte do sistema financeiro europeu, a partir da última segunda-feira. Esta foi mais “lenha para a fogueira” e empurrou o BdP para a decisão de resolução. O Santander Totta foi a única instituição a apresentar uma oferta vinculativa.

Por Vítor Norinha/OJE

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