‘Governance’: acelerar o crescimento das empresas e do país

O ‘governance’ deve ser entendido por todos como uma prioridade. Ao dotar as PME de melhores condições para crescerem e se tornarem grandes e globais, estamos a contribuir para o nosso sucesso económico e social.

A incerteza que domina os mercados, agravada pelos vários acontecimentos sociais, económicos e políticos que marcaram os últimos anos, a maior consciência da sociedade relativamente aos problemas que afetam o mundo e a expectativa crescente em relação ao papel das empresas e dos seus líderes na sociedade, tem criado uma pressão sem precedentes nas instituições públicas e privadas.

Temas como as boas práticas ambientais e de responsabilidade social há muito que fazem parte das estratégias empresariais e dominam “as conversas” das empresas com os seus stakeholders. No entanto, a pressão pública continua a aumentar e, é hoje, exigida maior transparência e rigor na atuação das empresas. É neste contexto que o governance tem conquistado espaço e atraído a atenção das empresas e dos seus gestores, completando-se assim a tríade do tão falado ESG.

Tendo em conta esta importância crescente, é preciso dar a conhecer o impacto que um bom governance tem no crescimento e competitividade de qualquer empresa, independentemente da sua dimensão, e incentivar as empresas a acelerarem a adoção de boas práticas. Práticas que estimulem o crescimento, que alertem para os riscos e desafiem para as oportunidades. Este caminho levará as empresas não só a crescer mais e melhor, mas de forma mais sustentável e estruturada, constituindo este um fator adicional de atração para clientes, investidores, financiadores e também talento.

A literatura existente tende a ser teórica e o governance deverá ser algo facilmente compreendido e alcançável por todo o tecido empresarial. O governance influencia o dia a dia e o futuro das organizações, devendo ser tratado de uma forma muito prática e objetiva, de modo a ser acionável. Por outro lado, permanece a ideia de que é um tema exclusivo das grandes empresas ou das empresas cotadas, o que é uma perceção errada.

O governance deve ser entendido por todos como uma prioridade. Ao dotar as pequenas e médias empresas de melhores condições para crescerem e se tornarem grandes e globais, estamos a contribuir para o nosso sucesso económico e social. Maiores empresas são mais produtivas, pagam melhores salários, investem mais, proporcionam maior bem-estar social e contribuem mais para o crescimento sustentável do país.

Estamos, na Associação Business Roundtable Portugal, conscientes do impacto positivo que o governance e a profissionalização da gestão podem desempenhar no crescimento empresarial. Temos entre os nossos Associados bons exemplos de empresas que, ao longo das últimas décadas, têm vindo a trilhar este caminho com sucesso.

Este facto, aliado ao nosso objetivo de identificar e implementar propostas pragmáticas para desbloquear o desenvolvimento do país (e colocá-lo entre os 15 europeus com maior PIB per capita) e promover o bem-estar social, levaram-nos a desenhar, em colaboração com o Instituto Português de Corporate Governance, um programa integrado de governance vocacionado para acelerar o crescimento das PME nacionais, que será brevemente apresentado e que é composto por um guia de melhores práticas, um modelo de scoring que permita às empresas auto avaliarem-se e conhecerem os seus pontos fortes e de melhoria, e uma pool de quadros das empresas Associadas que estarão disponíveis para serem advisors das PME que queiram trazer uma visão externa e independente para junto das suas equipas de gestão.

Acreditamos que esta iniciativa representa um passo importante para a desmistificação do tema do governance em Portugal e um incentivo ao crescimento das empresas, sendo um contributo efetivo e pragmático da Associação para o desenvolvimento do país.

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