Governo alemão adverte ativistas ambientais contra acções “fora da lei”

O Governo alemão fez hoje uma advertência aos ativistas ambientais que “vão além do quadro legal”, após a multiplicação de ações violentas no país para alertar contra o aquecimento global.

O Governo, disse o porta-voz do executivo, Wolfgang Büchner, apela a que as “preocupações e compromissos com a proteção do clima, que são muito importantes para todos, (…) não vão além do âmbito das leis”.

Sublinhou que algumas ações registadas nos últimos dias “ultrapassaram o limite de protesto legítimo”.

Este aviso surge num contexto tenso, depois de várias ações controversas de ativistas ambientais no país, que se ampliaram no período que antecede a COP27, que se realiza de 06 a 18 de novembro no Egito.

Os ativistas protagonizaram ações de desobediência civil em museus, estragando pinturas, agências de automóveis, sedes de ministérios e bloqueios de ruas.

Protestos semelhantes ocorreram no Reino Unido e em França, entre outros países.

Desde segunda-feira, o bloqueio de uma rua em Berlim pelo coletivo chamado “Letzte Generation” (“Última Geração”) abalou a Alemanha.

Esta ação atrasou, segundo a imprensa alemã, uma ambulância que ia resgatar um ciclista vítima de um acidente de viação, cuja morte foi anunciada hoje.

O Governo alemão, em que os ambientalistas detêm ministérios chave, não fez, no entanto, uma ligação direta da morte do ciclista às ações dos ativistas, sublinhando que a responsabilidade destes não tinha sido comprovada, como declarou o ministro da Economia e do clima, Robert Habeck.

A “Letzte Generation” criticou alguns meios de comunicação social, acusando-os de ataques, e anunciou em comunicado a continuação das suas ações.

Decisores políticos, especialistas, académicos e organizações não-governamentais, representantes de quase todos os países do mundo, reúnem-se a partir de domingo em Sharm el-Sheikh, no Egito, na 27.ª cimeira da ONU sobre alterações climáticas (COP27), para tentar travar o aquecimento do planeta.

Consensualmente consideradas como cimeiras cruciais, as conferências das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas já se realizaram 26 vezes, sem conseguir baixar as emissões de gases com efeito de estufa.

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