Governo britânico anuncia hoje cortes e aumento de impostos para pagar défice

O ministro das Finanças, Jeremy Hunt, vai apresentar as medidas hoje de manhã aos deputados britânicos, depois de semanas de especulação sobre o conteúdo da chamada “declaração de outono”.

O Governo britânico vai anunciar hoje no parlamento cortes na despesa pública e aumento de impostos, num orçamento extraordinário destinado a cobrir um “buraco” nas contas públicas estimado em 55.000 milhões de libras (63.000 milhões de euros).

O ministro das Finanças, Jeremy Hunt, vai apresentar as medidas hoje de manhã aos deputados britânicos, depois de semanas de especulação sobre o conteúdo da chamada “declaração de outono”.

Até agora, Hunt apenas disse que serão tomadas “decisões difíceis” em termos de despesa e no domingo admitiu à estação Sky News que todos os contribuintes terão de “pagar um pouco mais de impostos” para responder à atual crise económica que o Reino Unido enfrenta.

Porém, a oposição receia que cortes orçamentais representem uma nova onda de austeridade semelhante à de 2010 que penalize as pessoas mais vulneráveis e com rendimentos baixos que são mais afetadas pelo aumento do custo de vida.

A estação pública britânica BBC avançou que o Governo preparou cortes orçamentais de cerca de 35.000 milhões de libras (40.000 milhões de euros, no câmbio atual) e planeia angariar 20.000 milhões de libras (23.000 milhões de euros) adicionais em impostos.

O Orçamento do Estado principal britânico, também conhecido por “declaração da primavera”, é normalmente apresentado em março, enquanto “declaração de outono” resume-se normalmente a uma avaliação da execução, podendo às vezes incluir retificações.

Inicialmente apelidada de “plano fiscal a médio prazo”, a intervenção de hoje foi convertida na prática num orçamento extraordinário devido à importância em termos de políticas sobre apoios sociais e pensões, serviços públicos e investimento em infraestruturas.

Com as medidas de hoje, o executivo britânico espera restaurar a credibilidade económica do país depois da turbulência causada pelo “mini-orçamento” da anterior primeira-ministra Liz Truss, que avançava com vários cortes fiscais sem justificar como seriam pagos nem o impacto na dívida.

Liz Truss apresentou a sua demissão após pouco mais de 40 dias no cargo.

Recrutado por Truss para “estabilizar” a economia, Jeremy Hunt acabou por reverter quase todas as medidas do antecessor Kwasi Kwarteng e estancar a volatilidade nos mercados financeiros, o que contribuiu para continuar no cargo após a indigitação do atual primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, no final de outubro.

Segundo o centro de estudos Resolution Foundation, o mini-orçamento fez perder cerca de 20.000 milhões de libras (23.000 milhões de euros) em receitas fiscais e 10.000 milhões de libras (11.400 milhões de euros) em custos adicionais devido à subida das taxas de juros sobre a dívida soberana.

A declaração de Jeremy Hunt será acompanhada por novas projeções independentes do Gabinete de Responsabilidade Orçamental sobre o crescimento económico e a situação da dívida pública, que atualmente tem um rácio de 98% relativamente ao Produto Interno Bruto (PIB).

A economia britânica, tal como a de muitos outros países, está a sofrer com o impacto da invasão russa da Ucrânia, que fez subir os preços dos alimentos e da energia, levando a inflação disparar para 11,1% em outubro, um máximo desde 1981.

As estatísticas oficiais britânicas revelaram na semana passada que a economia britânica contraiu 0,2% no terceiro trimestre de 2022, confirmando as estimativas de uma recessão que o Banco de Inglaterra acredita que vai ser longa.

No início deste mês, o banco central anunciou o maior aumento das taxas de juro em três décadas, em 0,75 pontos percentuais para 3%, invocando a necessidade de combater a inflação.

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