Governo de Israel enfrenta forte contestação estudantil

Milhares de estudantes protestaram contra plano de reforma judicial, com o qual o governo de Benjamin Netanyahu quer reduzir a independência do poder dos tribunais face ao poder político.

REUTERS/Dan Balilty

A coordenação de ações de protesto entre mais de 10 universidades e faculdades israelitas com outras organizadores civis promoveu uma grande manifestação de protesto contra aquilo a que chamaram a “liquidação do sistema da justiça” – ou seja, o plano do governo liderado por Benjamin Netanyahu que visa acabar com parte da independência do poder judicial face ao poder político, governamental e parlamentar.

Segundo a imprensa do país, milhares de estudantes em pelo menos 12 campos universitários de todo o país realizaram uma greve coordenada de uma hora esta segunda-feira contra o plano do governo, na continuação de manifestações gerais realizadas nos últimos dois fins-de-semana, e que os organizadores pretendem continuar.

Às 12h30 desta segunda-feira, milhares de estudantes das principais instituições académicas de Israel deixaram as salas de aula e saíram para protestar contra o plano da coligação de ultra-direita, que quer que o Knesset aprove a legislação para o controlo dos juízes por via da sua nomeação política.

As mesmas fontes indicam contudo que algumas instituições realizaram contra-comícios, organizados pelo grupo de direita Im Tirtzu, em apoio aos planos da reforma, liderada pelo ministro da Justiça, Yariv Levin.

Muitas das instituições permitiram formal ou informalmente que os estudantes participassem nas manifestações, organizadas por um novo chamado Protesto Estudantil, que se descreve como apartidário e de defesa da democracia.

O grupo disse em comunicado citado pela imprensa que os comícios foram o início de “uma longa batalha, determinada e intransigente contra a mudança de regime” e que envolverá mais ações de protesto dentro e fora dos campos universitários.

“Nós, estudantes, não estamos dispostos a ficar calados diante da perigosa liquidação do sistema da justiça. Esta é uma luta pelo nosso futuro contra um governo que, em nome da tirania da maioria, ameaça atropelar a democracia e depois, sem freios, a igualdade e as liberdades de muitos grupos da população de Israel. Estamos determinados a acabar com essa loucura, e isto é apenas o começo”, diz ainda o comunicado.

O partido líder da oposição, o Yesh Atid (liderado por Yair Lapid, o anterior primeiro-ministro), apoiou a iniciativa. “Acho que os jovens israelitas entendem que o seu futuro está em perigo e que destruir a democracia destruirá o seu futuro”, disse um deputado do partido, citado pela imprensa.

Os organizadores da contramanifestações, para além de afirmarem o seu apoio à iniciativa legislativa do Ministério da Justiça, queixaram-se da presença de bandeiras da Palestina nos comícios organizados pelos que se opõem a Netanyahu.

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