Governo diz que programa de incentivos para filmagens “chegou tarde” mas é mais competitivo

Em vigor deste junho, o Fundo de Apoio ao Turismo, Cinema e Audiovisual tem um capital de 30 milhões de euros, mas que poderá chegar aos 50 milhões, até 2022, para apoiar filmes ou documentários e produções de televisão com distribuição internacional.

Portugal chegou tarde, mas tem atualmente um dos mais competitivos sistemas de incentivos financeiros às produções estrangeiras de cinema e televisão para escolher o país como local de filmagens, defendeu hoje a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

“A vantagem de termos chegado tarde a este mercado dos sítios das filmagens é que aprendemos com os outros”, disse à agência Lusa Ana Mendes Godinho, em Londres, onde apresentou a campanha “PIC Portugal”, na feira profissional FOCUS, que decorre hoje e quarta-feira.

O Turismo de Portugal e o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), disse, fizeram um “levantamento de todos os sistemas de incentivo que existiam para garantir que, quando o nosso entrasse em vigor, era o mais competitivo”.

Em vigor deste junho, o Fundo de Apoio ao Turismo, Cinema e Audiovisual tem um capital de 30 milhões de euros, mas que poderá chegar aos 50 milhões, até 2022, para apoiar filmes ou documentários e produções de televisão com distribuição internacional.

A candidatura implica que seja feito um investimento mínimo de 500 mil euros em território nacional, no caso de filmes rodados em Portugal, e de 250 mil euros, no caso de trabalho de produção, podendo cada projeto conseguir um apoio máximo de quatro milhões de euros.

O sistema funciona como um reembolso de até 30% das despesas em projetos de elevado impacto económico ou cultural, garantindo um prazo máximo de 20 dias úteis para a apreciação dos pedidos e 30 dias úteis para o pagamento da primeira tranche.

Portugal, afirma Mendes Godinho, “era dos poucos países que não tinha incentivos, logo à partida éramos excluídos de qualquer seleção”. “O que sentimos neste momento é cada vez mais procura de produtoras a vir ter connosco para vir fazer ‘scouting’ a Portugal”, revelou.

Presente na apresentação feita na FOCUS, Shirani Le Mercier, produtora da Spring Time Films, considerou o programa “muito inteligente, porque é rápido a pagar”. “As produtoras precisam de fluxo financeiro”, disse à Lusa.

A portuguesa Alice de Sousa, presidente executiva da Galleon Films, também sediada no Reino Unido, confessou que o incentivo poderá influenciar a localização de alguns dos seus futuros filmes.

“Até agora não considerava Portugal porque não tinha este tipo de apoios”, justificou.

O belga Patrick Van Hautem, sócio da produtora Made in Lisboa, mostrou algumas dúvidas sobre o chamado “teste cultural” que as candidaturas têm de passar, questionando: “E se vier o [Quentin] Tarantino com um filme de 500 milhões, mas que não quer mostrar Portugal, como vai ser?”

O teste cultural valoriza filmes que promovam Portugal, seja mostrando património ou cultura portuguesa ou empregando atores, técnicos portugueses ou pessoas com necessidades especiais, mas também pode ter em conta o impacto económico para a indústria nacional.

Até agora, o ICA recebeu 20 candidaturas e aprovou 15 projetos correspondentes a um investimento total a rondar os 25 milhões de euros, que apresentaram méritos para além da dimensão financeira, adiantou a vice-presidente deste organismo, Maria Mineiro.

Por exemplo, o realizador norte-americano Ira Sachs filmou com Isabelle Hupert e Marisa Tomei totalmente em Sintra e arredores, mostrando a paisagem e arquitetura locais, enquanto que “Liberté”, de Alberto Serra, foi valorizado pelo currículo e presença regular do catalão em festivais como Cannes.

Este programa de incentivo só funciona, vincou a responsável do ICA, porque Portugal tem muitos dias de sol e longas horas de luz natural, uma variedade de cenários a relativa curta distância, uma boa relação custo-benefício, bons profissionais poliglotas e acordos com países lusófonos.

Depois da presença no Festival de Berlim em 2017, a campanha PIC Portugal já esteve no American Film Market, em Los Angeles, fez reuniões com estúdios norte-americanos, promoveu a visita de produtores dos EUA ao país e, em novembro, participou numa feira em Xangai.

“Claramente Portugal está a despertar para este mercado dos destinos de filmagens. Estávamos fora do mapa, estamos a conseguir entrar no mapa”, garantiu a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

Esta é a quarta edição da feira FOCUS, dedicada às indústrias criativas audiovisuais, incluindo cinema, TV, publicidade, animação e interativas, e onde estão também representados países como Espanha, Grécia, Islândia, que apresentam os respetivos programas de incentivo às filmagens.

Durante o evento, os cerca de 3.000 participantes podem reunir-se com criadores de conteúdo, comissões de cinema, serviços de produção e prestadores de serviços locais de mais de 60 países.

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