“Governo é cúmplice da administração da Galp”, denunciam trabalhadores da refinaria de Matosinhos

A comissão de trabalhadores da refinaria da Galp em Matosinhos garante que o primeiro-ministro António Costa foi informado sobre a decisão de encerrar estas instalações a 18 de dezembro, quando a decisão apenas foi conhecida três dias depois.

Os trabalhadores da refinaria de Matosinhos aprovaram esta quarta-feira uma moção que visa assegurar os postos de trabalho existentes e que estão em causa com a decisão da Galp. Neste contexto, a comissão de trabalhadores acusa o Governo de ser cúmplice da administração da Galp.

O responsável pela refinaria da Galp de Matosinhos, José Silva, afirmou esta terça-feira que a decisão de encerramento “está tomada e fechada” e que para o complexo não está previsto “nenhum projeto de refinação de lítio”. “Esta não é uma decisão reversível pelos fundamentos que foram analisados e valorizados pelo Conselho de Administração. A decisão está tomada e fechada”, afirmou hoje o engenheiro José Silva, na reunião da câmara de Matosinhos.

Em declarações à “RTP”, Telmo Silva, da comissão de trabalhadores explicou que ações foram aprovadas esta quarta-feira na moção: “Permanência do complexo da refinaria do porto, assegurar os postos de trabalho existentes, e vamos tomar todas medidas institucionais para denunciar este crime económico que está a ser feito, não só a nível regional como também nacional”. Além disso, os trabalhadores vão realizar concentrações nos Paços do Concelho de Matosinhos e depois em Lisboa para denunciar aquilo que apelidam de “crime económico”.

O mesmo responsável acusou o Governo de agir em cumplicidade com a administração da Galp, garantindo que o primeiro-ministro António Costa já sabia da decisão de encerrar a refinaria a 18 de dezembro, sendo que o mesmo só foi anunciado três dias depois: “Governo é cúmplice da administração da Galp, uma administração que está a levar à desindustrialização de uma região”, acusou.

Fecho anunciado a 21 de dezembro

Em 21 de dezembro, a Galp anunciou, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que “continuará a abastecer o mercado regional mantendo a operação das principais instalações de importação, armazenamento e expedição de produtos existentes em Matosinhos”, e que está a “desenvolver soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo”.

A empresa afirmou que as “alterações estruturais dos padrões de consumo de produtos petrolíferos motivados pelo contexto regulatório e pelo contexto covid-19 originaram um impacto significativo nas atividades industriais de ‘downstreaming’ da Galp”, e disse que “o aprovisionamento e a distribuição de combustíveis no país não serão impactados por esta decisão”.

Esta reconfiguração “permitirá uma redução de mais de €90m por ano em custo fixos e investimentos e c.900kt das emissões de CO2 e (scope 1 e 2) associadas ao sistema atual”, refere a nota.

Esta decisão já desencadeou várias reações com o Governo a considerar que a decisão da Galp “levanta preocupações” em relação ao destino dos trabalhadores, mas a lembrar que as medidas anunciadas se inserem num processo que visa a descarbonização do setor energético.

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