Governo quer acelerar negociação do acordo de rendimentos em sede de Concertação Social

“Temos programado com os parceiros sociais acelerar a negociação do acordo para a competitividade e rendimentos”, adiantou António Costa, na conferência de imprensa sobre as respostas à inflação.

António Costa, primeiro-ministro. Foto: Pedro Nunes/Reuters

O primeiro-ministro, António Costa, adiantou esta segunda-feira que “está programado” com os parceiros sociais acelerar a negociação em torno do acordo para a competitividade e rendimentos, processo que chegou a arrancar antes da pandemia, mas ficou suspenso, tendo sido retomado este ano, mas ainda sem grandes avanços, segundo têm sinalizado os sindicatos e os patrões ao Jornal Económico (JE).

“Temos programado com os parceiros sociais acelerar o processo de negociação do acordo para a competitividade e os rendimentos. Tenho esperança de que possamos acordar um ritmo de progressão dos salários ao longo da legislatura de forma a alcançar o objetivo [de o peso dos salários na riqueza nacional convergir com a média da UE]”, afirmou o chefe do Governo, na conferência de imprensa em que anunciou o “Famílias primeiro”, isto é, o pacote de medidas preparadas em resposta ao agravamento da inflação, nomeadamente um suplemento extraordinário para os pensionistas.

A negociação do acordo de rendimentos em sede de Concertação Social chegou a arrancar ainda antes da crise pandémica, mas acabou por ser suspensa por causa da Covid-19.

Agora que a situação sanitária está mais controlada, o Governo retomou, já após as eleições e a conquista da maioria absoluta pelo PS, o trabalho, tendo sido constituído um grupo de trabalho para o efeito, com contributos das confederações patronais e das centrais sindicais. Segundo têm dito fontes próximas ao JE, ainda não foram feitos, contudo, avanços consideráveis, tendo em conta também que, entretanto, decorreu o verão.

Ainda assim, o primeiro-ministro parece manter-se confiante e, questionado esta segunda-feira sobre os salários, remeteu para essa sede. “Temos um objetivo de legislatura, que é aumento o peso dos salários na riqueza nacional para o valor da média europeia, ou seja, 48%. Estamos nos 45%. Temos de fazer o esforço de convergência para 48%. Esse esforço não pode ser limitado ao salário mínimo nacional, tem de abranger todos os salários”, afirmou Costa.

Quanto à Função Pública, o primeiro-ministro nada quis adiantar. A Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP), por exemplo, já veio defender aumentos salariais acima da inflação, numa carta enviada a António Costa.

[Notícia atualizada às 21h26]

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