Reforçar papel de Portugal no fornecimento de energia para Europa é prioridade para novo Governo

No programa do Governo entregue esta sexta-feira à Assembleia da República, o terceiro Executivo de Costa coloca as interconexões energéticas entre Portugal, Espanha e o resto da Europa como uma das prioridades a explorar nos próximos quatro anos.

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Na sequência do agravamento do conflito armado na Ucrânia e as consequências a nível energético que daí resultaram, o Governo pretende reforçar a importância de que Portugal e Espanha podem ter a nível de fornecimento de energia para o resto da Europa.

No programa do Governo entregue esta sexta-feira à Assembleia da República, o terceiro Executivo de Costa coloca as interconexões energéticas entre Portugal, Espanha e o resto da Europa como uma das prioridades a explorar nos próximos quatro anos.

Na alínea “Participar ativamente na construção europeia”, lê-se que Portugal deverá continuar a promover “uma agenda progressista, defender os valores europeus e o Estado de Direito, conduzindo a recuperação económica e a transição verde e digital, reforçar o papel da Europa no mundo”.

Nesse sentido, compromete-se em “participar na resposta europeia às consequências estratégicas e económicas da guerra contra a Ucrânia, defendendo a concertação de esforços para que essa resposta seja robusta, de modo a preservar o relançamento económico pós-pandemia e reforçar a autonomia europeia no acesso a bens básicos”.

Entre eles, surge a questão das fontes de energia onde o Governo pretende fazer “valer a importância de Portugal e a necessidade de reforçar as interconexões energéticas entre Portugal, Espanha e o resto da Europa”.

Este objetivo tem vindo a ser defendido por ambos os países desde o início do conflito, uma vez que a Rússia é o principal fornecedor de gás natural à Europa.

A 10 de março, em Versalhes, António Costa afirmou ser “impossível ignorar a realidade” quanto ao papel que a Península Ibérica pode vir a representar relativamente ao fornecimento de energia à Europa.

Em conversa com os jornalistas,  o primeiro-ministro voltou a salientar que “Portugal e Espanha” são países que podem “dar um contributo extraordinário” em termos de abastecimento de gás à Europa, quer pela capacidade de produzir energia renovável, quer pela proximidade geográfica” com fontes de gás natural em África ou nos Estados Unidos e até pela “capacidade aeroportuária” de receber essas importações. Isto numa altura em que a Comissão Europeia anunciou um plano para reduzir em dois terços, até ao final deste ano, a dependência da energia russa. Um quarto do petróleo e cerca de 40% do gás importados pela União Europeia e pelo Reino Unido chegam da Rússia.

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