Governos podem precisar de taxar empresas de energia para ajudar os mais pobres, diz CEO da Shell

O presidente executivo da Shell considera que o mais importante é “proteger os mais pobres” e como tal os governos podem vir a precisar de taxar empresas de energia. “Há uma discussão a ser feita sobre isso, mas acho que é inevitável” a necessidade de intervenção, considerou.

O presidente-executivo da Shell, Ben van Beurden, disse que os governos podem precisar tributar as empresas de energia para proteger as pessoas “mais pobres” de contas crescentes.

“De uma forma ou de outra, precisa de haver intervenção do governo. Proteger os mais pobres, isso provavelmente pode significar que os governos precisam tributar as pessoas nesta sala para pagar isso”, disse Beurden, citado pelo “The Guadian”, durante uma conferência sobre energia em Londres.

“Acho que temos que aceitar [a medida] como um todo. Pode ser feito de maneira inteligente e não tão inteligente. Há uma discussão a ser feita sobre isso, mas acho que é inevitável” a necessidade de intervenção do governo, considerou o presidente executivo da Shell.

Na semana passada, os ministros da União Europeia concordaram em aproveitar os lucros inesperados das empresas e redirecioná-los para clientes e empresas como parte de um pacote inicial de energia. O executivo da UE espera arrecadar 140 mil milhões de euros através das taxas. O bloco também estabeleceu a meta de reduzir o consumo de energia.

Quanto ao fornecimento de energia, Beurden assegurou que fará “o possível para levar gás para a Europa onde for necessário”. “Podemos fazer uma intervenção significativa nos mercados de gás aqui na Europa? Essa é uma perspetiva muito mais desafiante. A solução não deve passar pela proteção daqueles que precisam”, reforçou.

Beurden também referiu que os preços da energia na Europa e a enorme volatilidade nos mercados ameaçam uma instabilidade social mais ampla. “Não podemos ter um mercado que se comporte de tal maneira, que vá prejudicar uma parte significativa da sociedade”, destacou.

Em Portugal, taxar as empresas de energia parece um cenário um pouco distante. Na sexta-feira, o “Público” avançou que essa medida, pedida por vários deputados do Partido Socialista, estava fora do pacote de apoios do Governo. A alternativa será dialogar com as empresas de modo a negociar reinvestimentos ou outras obrigações sociais.

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