Futuro: as grandes tendências que vão influenciar o mundo

A Ernst & Young e a Inova Consultoria de Gestão e Inovação Estratégica elaboraram as megatendências para um mundo em constante movimento. A revolução digital, a robótica, o empreendedorismo, a sustentabilidade, o impacto no mercado global e no mundo urbano estão em destaque. Também os estudos da Economist Intelligence e da Oxford Economics ilustram as mudanças e os desafios do futuro.

Tyrone Siu/Reuters

O DIGITAL

Avanços rápidos na computação em nuvem, dispositivos conectados, dispositivos móveis. O avanço nos meios digitais e a análise de dados estão a levar muitas empresas a reavaliar os aspectos fundamentais dos negócios, incluindo quais os produtos e os serviços que eles vendem, como os entregam e organizam as operações. Um estudo recente da Economist Intelligence Unit revelou que quase 80% das empresas estão a ver mudanças na forma como os seus clientes acedem aos produtos. As operações exigem que as empresas adoptem as suas estratégias de preços, processos de vendas e modelos de distribuição. A venda de produtos digitais e os serviços exigem um ciclo diferente do que os bens tradicionais. Finalmente, a distribuição de bens e serviços via canais digitais(por exemplo, nuvem) aumenta os problemas para reconhecimento de receitas e de privacidade do cliente que deve ser resolvida. Embora esses desafios sejam substanciais, as empresas precisam ser capazes de os saber gerir para servir os seus clientes no futuro. Ao mesmo tempo, a Ericsson estima que as duas mil milhões de ligações à banda larga se irão expandir para oito mil milhões até 2019. Os utilizadores interagem mais com as marcas através de telemóvel do que com PC’S. O primeiro iPhone surgiu em 2007; em 2013, os ‘smartphones’ já representavam mais de metade das vendas de telemóveis em Portugal. Os satélites do sistema GPS só ficaram em órbita em 1995; 20 anos depois, entre ‘apps’ e equipamentos de navegação, a maior parte das pessoas tem um computador a dar-lhe indicações com a ajuda de satélites. Para abordar o mercado em mudança dinâmica, as empresas de tecnologia apostaram no desenvolvimento de aplicações. A quantidade e tipos de dados do cliente, incluíndo compras online e geolocalização expandem-se de forma rápida.

OS EMPREENDEDORES

Os mercados mais maduros viram numerosas ‘startups’ com ideias. Em alguns casos, estas novas empresas criaram outros segmentos e novas áreas de negócios. Google, Facebook, Twitter, Virgin Airlines e GoPro estão entre os exemplos mais emblemáticos. As oportunidades para novas empresas expandirem os seus negócios em outros mercados de crescimento rápido é enorme. Por exemplo, a Índia procura criar ambientes regulatórios e de financiamento para atrair novos empreendedores. Mas o que se destaca hoje é o sucesso financeiro que estes empresários estão a desfrutar em todo o mundo. O desemprego juvenil atingiu um nível crítico na maioria dos países do G20. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) relata que globalmente, quase 13% dos jovens (cerca de 75 milhões de pessoas) são desempregados. Em resposta a isso, os jovens voltam-se cada vez mais para o empreendedorismo, particularmente em regiões onde o emprego é difícil de obter. Num mundo globalizado, cada vez mais empreendedores criam uma microempresa com janela para os cinco continentes, seja como principal meio de sustento seja como complemento aos rendimentos oficiais. O empreendedorismo potencia a criatividade e a inovação, a capacidade de intervenção e de adaptação à evolução e, portanto, a capacidade de fazer uso mais eficiente dos recursos, com consequências importantes a nível de cidadania, a nível social e económico. É por isso considerado pela Comissão da União Europeia como competência chave para o crescimento, emprego e realização pessoal e uma característica essencial a recuperar e fomentar na formação de jovens, conforme a agenda resultante da Conferência de Oslo.

MERCADO GLOBAL

Espera-se um crescimento rápido nos mercados. Até 2030, as taxas de crescimento projetadas para grandes ‘players’ como a China (+ 5,9%) e Índia (+ 6,7%), bem como o desenvolvimento rápido nas regiões como a África Subsaariana (+5,8), Médio Oriente e África (+ 4,9%). Com economias crescentes e apoiadas por tendências socioeconómicas e uma demografia favorável, os mercados locais tornam-se cada vez mais importantes para realizar negócios globais. Um estudo de 2014 realizado pela Oxford Economics e pela EY estima que o ritmo e a escala da urbanização global é mais rápida nos continentes asiáticos e africanos. Um mercado global é uma troca de bens ou serviços que atravessa as fronteiras nacionais e tem influência à escala mundial. Também se pode referir ao mercado de um determinado produto ou moeda. A este nível, os mercados são afetados por uma combinação complexa de forças económicas, internacionais e interação de todas as forças que constituem o mercado. A China, que já é o maior comerciante, consolidará ainda mais a sua posição no comércio mundial. Outros mercados emergentes, tais como como a Índia e o Vietname, também são esperados para o crescimento anual das exportações de dois dígitos nos próximos sete anos. Em 2030, as estimativas da Organização Mundial do Comércio é que as transações comerciais aumentem para 60%, em comparação com 20% na década de 1990 e 40% em 2012.

MUNDO URBANO

Um estudo da Oxford Economics e da EY projeta que o ritmo e a escala da urbanização global conduzirá o futuro do mundo e do crescimento económico. O impacto será visto na mudança de poder para as áreas urbanas. O crescimento nas despesas não essenciais e os produtos para as maiores cidades do mundo supera o crescimento dos gastos dos consumidores em itens essenciais, refletindo o aumento e afluência de residentes urbanos em todo o globo. Do ponto de vista demográfico, novas cidades surgirão. As populações jovens podem ajudar a criar forças de trabalho produtivas, mas também podem criar instabilidade em países com desemprego e outros problemas sociais. De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, a conceção e a governação das zonas urbanas, sobretudo no Sudeste Asiático, terão fortes impactos nas emissões de gases com efeito de estufa e na procura de recursos a nível global. Uma vez construída, pode ser difícil alterar uma cidade de forma substancial. Os habitantes adaptam-se a essas condições e o seu comportamento também pode ser difícil de mudar. Em muitos lugares do mundo em desenvolvimento, as cidades estão em risco de se encerrarem, por muitas décadas, em modelos de desenvolvimento urbano que consomem bastante energia e recursos.

Num mundo altamente interligado, a Europa será afectada de forma sobretudo indirecta. Entre os possíveis impactos inclui-se a alteração dos padrões europeus de utilização do solo, induzida por uma maior concorrência pelos recursos e pela ameaça de desenvolvimento e propagação de doenças a nível global. Pela primeira vez na história, mais de 50% da população mundial vive em zonas urbanas. Em 2050, é provável que cerca de 70% da população viva nas cidades. Os demógrafos calculam que em 2050 a Ásia terá mais de 50% da população urbana do planeta.

SUSTENTABILIDADE

O aumento de 1,2 mil milhões de pessoas na população mundial até 2030 (nomeadamente em nações em desenvolvimento) significará o aumento da procura por energia, ‘commodities’, alimentos e água. No entanto, o acesso a novas fontes de abastecimento será cada vez mais difícil e caro. O valor estratégico e a concorrência para o aumento de recursos naturais, vai colocar um preço sobre a segurança dos recursos através de impostos e regulamentos.

Entre 1950 e 2010, a temperatura média da superfície terrestre aumentou a uma taxa seis vezes maior do que em 1890-1950. A ONU prevê que o número de pessoas nas grandes cidades que estão expostas a ventos ciclónicos, terremotos e inundações serão mais do que o dobro na primeira metade deste século. As mudanças no clima e a incidência de eventos climáticos extremos terá custos económicos significativos, e pode representar sérios desafios de segurança em algumas regiões. Um relatório recente conclui que os impactos das mudanças climáticas aceleram a instabilidade em áreas vulneráveis do mundo e podem servir como catalisadores para conflitos. À medida que os países trabalham para construir infraestruras resistentes ao clima haverá um aumento e necessidade de novos modelos de financiamento para aumentar o capital necessário.

ROBÓTICA

Devido aos inúmeros recursos que os sistemas de microcomputadores nos oferece, a robótica atravessa uma época de contínuo crescimento que permitirá, em curto espaço de tempo, o desenvolvimento de robôs inteligentes fazendo assim a ficção do homem antigo se tornar a realidade do homem atual.

Segundo a Inova Consultoria de Gestão e Inovação Estratégica , a robótica tem possibilitado às empresas redução de custos com o operariado e um significativo aumento na produção. O país que mais tem investido na robotização das atividades industriais é o Japão, um exemplo disso observa-se na Toyota.

Porém há um ponto negativo nisso tudo. Ao mesmo tempo que a robótica beneficia as empresas diminuindo gastos e agilizando processos, ela cria o desemprego estrutural, que é aquele que não gerado por crises económicas, mas pela substituição do trabalho humano por máquinas. No entanto, há alguns ramos da robótica que geram impacto social positivo. Quando um robô é na realidade uma ferramenta para preservar o ser humano, como robôs bombeiros (em português), submarinos, cirurgiões, entre outros.

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