“Grave atentado aos interesses nacionais”. PCP critica Galp por encerramento da refinaria em Matosinhos

Os comunistas defendem que “o país não pode aceitar que se concretize uma política de desativação de importantes ativos industriais no valor de muitos milhões de euros tendo inclusivamente beneficiado de investimentos recentes com recurso a apoios públicos (como foi o caso)”.

O Partido Comunista Português (PCP) considerou “particularmente grave” a decisão da Galp de deixar de usar Matosinhos como refinaria a partir de 2021, em comunicado divulgado esta terça-feira.

“Para o PCP, trata-se de uma decisão particularmente grave, com consequências no plano da soberania energética, do tecido industrial, do equilíbrio territorial, do desenvolvimento económico e do emprego”, sublinha o partido liderado por Jerónimo de Sousa.

Num comunicado publicado na página do partido, o PCP referiu que “a confirmar-se o encerramento desta refinaria, tal constituiria um grave atentado aos interesses nacionais, justificado na base dos impactos da epidemia e dos objetivos da chamada descarbonização, argumentos que, a serem considerados em toda a sua extensão, levariam ao encerramento de parte significativa das empresas industriais portuguesas”.

“O país não pode aceitar que se concretize uma política de desativação de importantes ativos industriais no valor de muitos milhões de euros tendo inclusivamente beneficiado de investimentos recentes com recurso a apoios públicos (como foi o caso)”, sublinhou o PCP.

Quanto à posição do Governo, os comunistas destacam as declarações “por via do Ministro do Ambiente, congratulando-se com o encerramento desta refinaria e reafirmando os argumentos da Galp, revelam uma total submissão às imposições da União Europeia e da sua agenda de favorecimento das grandes potencias que estão a impor a países como Portugal, processos e ritmos de liquidação de infraestruturas estratégicas, contrários aos seus interesses”.

O Sindicato da Industrial e Comércio Petrolífero (SICOP), em declarações à RTP, revelou que em reunião com o Ministério do Ambiente, o Governo disse que a Petrogal era uma “empresa privada” e não mostrou abertura para “encontrar uma solução”.

Em comunicado, o sindicato defendeu que o Governo tomar uma postura em relação ao assunto sendo que detém 7,5% do da Galp. “O que é que o Governo diz sobre isto? Sobre esta destruição de postos de trabalho? Responsabilizamos o Governo por esta decisão. Já fizemos vários apelos para o Governo intervir. Isto é um serviço público. O Governo tem de assumir uma posição”.

Por sua vez, em comunicado, o Governo revelou estar preocupado com o futuro dos trabalhadores. “O Ministério do Ambiente e da Ação Climática manifesta desde já a disponibilidade para, em nome do Governo, reunir com a Galp e com as estruturas representativas dos trabalhadores, exigindo da empresa todo o empenho e sensibilidade social para procurar soluções para o futuro próximo”.

Na segunda-feira, a Galp anunciou que vai encerrar a refinaria de Matosinhos, distrito do Porto. As operações vão passar a estar concentrada em Sines, distrito de Setúbal.

 

 

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