“Grave violação da privacidade” na origem da demissão de secretário de Estado da Saúde

Manuel Delgado revelou, através de comunicado, os motivos que o levaram a apresentar a demissão. Garante que nunca foi favorecido na Raríssimas por qualquer relação pessoal.

“Grave violação da privacidade da minha vida pessoal em termos e circunstâncias inadmissíveis e que ultrapassaram todos os limites”. Foi assim que Manuel Delgado, ex-secretário de Estado da Saúde, justificou o seu pedido de demissão, de acordo com comunicado revelado hoje.

“O que motivou a minha demissão foi a grave violação da privacidade da minha vida pessoal em termos e circunstâncias inadmissíveis e que ultrapassaram todos os limites, já que foram para muito além do âmbito e contexto sobre as eventuais suspeitas de irregularidades de gestão que foram cometidas naquela entidade. Nessas circunstâncias, ultrapassados todos os limites de reserva pessoal e com o devido sentido de estado, outra decisão não poderia deixar de tomar”, pode ler-se no comunicado revelado pelo Diário de Notícias.

Neste comunicado remetido por Manuel Delgado, o ex-secretário de Estado esclarece que foi “remunerado pela prestação de um serviço para o qual fui contratado e no âmbito das minhas competências profissionais. Essa prestação de serviços foi feita muito antes da minha entrada no governo e respeitou na íntegra todo o quadro legal e ético. Não conhecia nem tinha de conhecer a gestão remuneratória da instituição, tal como todos os consultores das diferentes entidades da economia social desconhecem quanto e de que forma são remunerados os responsáveis dessas instituições, independentemente de receberem subsídios estatais”.

Manuel Delgado realça ainda que “não (nunca) recebi qualquer favorecimento por qualquer relação pessoal”. Sublinha ainda que “enquanto secretário de Estado”, não teve nenhuma intervenção em processos de apoio à Associação Raríssimas.

Segundo uma reportagem da TVI, emitida no sábado passado, Manuel Delgado foi contratado entre 2013 e 2014 pela associação Raríssimas, com um vencimento de três mil euros por mês, tendo recebido um total de 63 mil euros.

O secretário de Estado alegou então que se tratou de uma “colaboração técnica” com a associação Raríssimas e que nunca participou em decisões de financiamento.

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Raríssimas: Secretário de Estado da Saúde demite-se

Jornal Público adianta na sua edição online que Manuel Delgado está de saída do Governo.
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