Grécia diz que “chegou ao limite” no acolhimento de refugiados

De acordo com o Executivo grego, a responsabilidade de acolher os refugiados que desembarcam na Europa deve ser compartilhada entre todos os Estados-membros. Só no mês de setembro, a ONU contabilizou a chegada de mais de 10 mil imigrantes à Grécia.

Até setembro deste ano, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados da ONU (ACNUR) somou 36.141 mil imigrantes que desembarcaram na Grécia – a maioria vindos do Afeganistão (38%), Síria (25%) e do Congo (8%). Mais da metade destes refugiados são mulheres (24%) e crianças (36%).

Face a este número que não mostra sinais de desaceleração, o primeiro-ministro grego, Kyriákos Mitsotákis, contestou que esta problemática não deve ser lidada apenas pelo Governo grego mas deve ser, sim, partilhada entre os restantes membros da União Europeia (UE). À nova vice-presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, e à comissária para os Assuntos Internos, Ylva Johansson, – ambas encarregadas de rever as políticas de migração e asilo – líder do Executivo helénico explicou que a Grécia havia “atingido os seus limites” e não podia mais lidar sozinha com o influxo.

“Este não é um problema greco-turco”, argumentou enquanto as autoridades visitavam Atenas. “[É] uma questão que afeta a União Europeia como um todo e estamos ansiosos pela a sua ajuda, bem como uma política europeia firme, para resolvê-la.”.

Atenas está no extremo agudo dos fluxos migratórios, hospedando cerca de 90 mil refugiados e migrantes em todo o país – um número maior do que o total combinado de requerentes de asilo registados na Itália, Espanha, Malta e Chipre, de acordo com o ACNUR .

O novo órgão executivo da UE está a preparar para elaborar novas políticas sobre o desafio da migração e Atenas diz que é crucial que Bruxelas reconheça a necessidade de os requerentes de asilo serem compartilhados igualmente entre os Estados-membros.

A 12 de dezembro, França anunciou que receberia 400 refugiados da Grécia, mas mesmo assim não será suficiente, numa altura em que a UE enfrenta forte resistência dentro das suas próprias fronteiras – principalmente dos países de Visegrád, liderados pela Hungria -, os gestos de boa vontade farão pouco para distribuir a carga de maneira justa, dizem autoridades gregas.

Porém, a Grécia não está sozinha no registo de chegadas em massa de refugiados este ano. Chipre também foi alvo de um surto, com a maioria dos refugiados a viajar para o sul grego da ilha dividida pelo norte ocupada pela Turquia. Atualmente, o Chipre é quem supera todos os outros estados da UE por ter o maior número de pedidos de asilo per capita .

“Atualmente, Chipre terá 100 mil [refugiados e migrantes económicos] nos próximos cinco anos”, disse Constantinos Petrides, ministro do Interior do país até ao final deste mês. O seu sucessor anunciou esta semana que a polícia e os militares cipriotas gregos intensificariam as patrulhas ao longo da linha de cessar-fogo patrulhada pela ONU na ilha. Enquanto isso, o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan ameaça repetidamente “abrir os portões” dos refugiados na Europa.

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