Greve na TAP. “Não vemos qualquer perturbação hoje a afectar os nossos clientes”, diz CEO

A TAP enfrenta hoje o primeiro de dois dias de greve convocada pelo sindicato dos tripulantes de cabine SNPVAC. Em entrevista ao Jornal Económico (que sairá na íntegra na edição de sexta-feira), a CEO da companhia, a francesa Christine Ourmiere-Widemer, diz que os clientes não estão a ser afetados pela paralisação.

A TAP enfrenta hoje o primeiro de dois dias de greve convocada pelo sindicato dos tripulantes de cabine SNPVAC. Em entrevista ao Jornal Económico (que sairá na íntegra na edição de sexta-feira), a CEO da companhia, a francesa Christine Ourmiere-Widemer, diz que os clientes não estão a ser afetados pela paralisação e sublinha que a ameaça do sindicato de convocar mais cinco dias de greve nas próximas semanas “não é uma mensagem positiva”. Também aproveitou para corrigir o que considera ser outras “mensagens erradas” do sindicato.

E a greve que começou hoje? Já tem alguns números sobre o impacto?
Para esta greve, como se lembra, já tínhamos previsto o cancelamento dos voos. Depois o tribunal decidiu sobre os serviços mínimos. Os serviços mínimos estão muito próximos do que tínhamos antecipado para os voos. E hoje estamos a voar os serviços mínimos. A tripulação que está a voar os serviços mínimos é muito profissional. Não notámos qualquer disrrupção quer na organização do voos de serviços mínimos quer em torno da operação. Por isso, não vemos qualquer perturbação hoje a afectar os nossos clientes. Por isso, a forma como antecipámos e também a decisão dos serviços mínimos estão a fazer com que, para o cliente, seja uma experiência muito similar [ao normal], porque estamos a realizar os voos que estão no sistema.

Muito bem, o que pensa da intenção do sindicato de talvez acrescentar mais cinco dias de greve nas semanas seguintes? Como o classifica?
Bem, para mim é sempre o mesmo: não gostamos de ver avisos de greve e lamento muito ver isso, mas ao mesmo tempo precisamos de nos sentar e tentar encontrar algumas soluções. Não é bom para a TAP, não é bom para a mensagem que enviamos aos nossos clientes. Não é bom também para os trabalhadores do grupo, porque estão a trabalhar muito como todos. Por isso, claro que não vemos isso como uma mensagem positiva. Por isso, vamos tentar fazer o nosso melhor, estamos abertos a sentar-nos com o SNPVAC – foi o que dissemos, estamos disponíveis para discussão. É bom ver que eles estão a dizer o mesmo. Depois disso, há uma série de mensagens que precisamos de corrigir. Tem havido algumas mensagens [do sindicato] a dizer que estamos a voar a mesma oferta, com menos 20 aeronaves. Isso está errado. No final de 2019, estávamos a voar 105 aviões. Hoje estamos a voar 96. Portanto, temos menos nove aeronaves e as pessoas esquecem-se que a oferta que voamos está também ligada ao tamanho das aeronaves e temos recebido vários Airbus–321 que são diferentes da frota anterior, mas não voamos menos 20 aeronaves.

Essa é uma informação errada, então.
Isso é informação errada. Em segundo lugar, [o SNPVAC] está a afirmar que há menos tripulação de cabina. Sim, claro. No próximo ano voaremos, de facto, com a mesma capacidade – 100% de 2019 – porque não encontrámos a mesma capacidade em 2022 com menos tripulação de cabina. É exactamente a razão pela qual assinámos o acordo de emergência para termos nas nossas aeronaves o mesmo número de tripulantes de cabina do que as companhias comparáveis connosco na Europa. Não estou a falar da Ryanair e da easyJet, estou a falar de companhias aéreas “hub and spoke”, estou a falar da definição de equipas de tripulação de cabina que sejam consistentes com as recomendações do fabricante. Portanto, sim, ao assinar este acordo temos menos tripulação de cabina, mas somos competitivos. Portanto, sim, o facto de termos assinado este acordo torna-nos mais eficientes e é esse o acordo.

TAP vai premiar os seus trabalhadores se resultados de 2022 “mostrarem uma melhoria fantástica”

E quanto à oferta de voos para 2022 e 2023?
É verdade que estamos a voar mais em 2022 e 2023 do que foi previamente planeada. Mas ao mesmo tempo este acordo de emergência que foi assinado é válido até 2024, e nesse ano a oferta será consistente com o que vamos voar no próximo ano. Portanto, o que as pessoas têm de compreender é que o acordo em vigor está a ser aplicado: estamos a antecipar, mas o que estamos a fazer foi previamente planeado neste acordo. Quanto à situação do país, da Europa, da inflação, do aumento dos custos, estamos absolutamente de acordo. Estamos absolutamente de acordo que é um ambiente desafiante, mas para todos os trabalhadores da empresa e todos os trabalhadores estão a contribuir para criar valor. E já dissemos numa comunicação interna que ter um primeiro trimestre de lucro [o terceiro de 2022] não significa que o jogo tenha acabado. Precisamos de fazer mais para que a empresa seja lucrativa de forma sustentável. Nem sequer anunciámos os resultados do final do ano, pelo que é absolutamente prematuro fazer algo agora. Por isso, vamos deixar que saiam os resultados anuais. Também dissemos aos trabalhadores que se os resultados anuais estiverem definitivamente a mostrar uma melhoria fantástica, encontraremos uma forma – dentro dos limites do acordo de reestruturação – para premiar os nossos trabalhadores. Mas ainda não está ainda definido, porque os únicos resultados ainda não saíram e precisamos de construir uma forma – e queremos encontrar uma forma – de premiar os nossos colaboradores, todos os nossos colaboradores.

As reivindicações do sindicato não podem ainda ser correspondidas, é isso?
Portanto, respeitamos a liberdade de greve, respeitamos a nossa tripulação de cabina porque são muito importantes para o serviço que estamos a entregar aos clientes. Mas o timing é difícil para nós. Gostaríamos de ter respostas, mas precisamos de esperar pelo final do ano e temos de trabalhar em conjunto para encontrar soluções. Hoje é demasiado cedo. E também estaria a dar uma imagem para a empresa que não é a imagem certa. Ao mesmo tempo estamos a produzir bons resultados, mas é demasiado cedo.

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