Gripe aviária e perdas socioeconómicas

O risco de contaminação humana com um vírus da gripe das aves através do consumo de produtos avícolas (cozinhados) é nulo (cientificamente).

Este, não pretende ser um artigo científico, mas de mera informação técnica e possível sensibilização sobre um surto que nos tem igualmente acometido nos últimos tempos e que, inevitavelmente, gera sempre algum alarme na opinião pública, mesmo que (ainda) seja infundamentado.

Os focos desta doença infeciosa, no nosso país, têm-se sucedido nos últimos dois anos e atingido aves de capoeira e em cativeiro (incluindo as aves detidas em contextos domésticos) manifestando-se numa patogenicidade que oscila entre “baixa e alta”, com sintomatologia ligeira ou podendo mesmo culminar em morte dos animais. O impacto na saúde dos animais é evidente, mas estende-se além deste aspeto, nomeadamente no que concerne à saúde pública e às inevitáveis repercussões socioeconómicas – na medida em que é inevitável a quebra, e a suspensão, da produção avícola e comercialização dos seus produtos (carne fresca, incluindo miudezas, produtos à base de carne de aves, e ovos). Foram, obviamente adoptadas, pelas entidades competentes zonas de restrição sanitária por forma a travar ou a minimizar os impactos da infeção, confinando as aves aos seus estabelecimentos para evitar eventuais contágios por parte de outras aves, selvagens. Interditou-se, ainda, a circulação de aves e o repovoamento de aves cinegéticas, assim como feiras e mercados – ou seja tudo o que possa ocasionar ajuntamentos de aves. Mas também tem sido feito o controlo quanto à circulação de ovos quer para incubação quer para consumo humano. Ou seja, têm-se acautelado rigorosamente as vias de transmissão e a saúde pública, pelo que o alarme que tantas vezes se ocasiona nestas situações não tem cabimento técnico e científico. Por outras palavras, o risco de contaminação humana com um vírus da gripe das aves através do consumo de produtos avícolas (cozinhados) é nulo (cientificamente). E este esclarecimento é essencial, pois dada a nossa propensão (da sociedade) a alarmismos públicos, o consumo deste tipo de produtos tende a cair a pique, mesmo que não se saiba ou se entenda os riscos que daqui decorrem, e as consequências, mais uma vez, são inevitáveis: quebras socioeconómicas graves que prejudicam o rendimento e subsistência de famílias, empresas e consumidores.

Importa, assim, reforçar o esclarecimento: este tipo de vírus é altamente sensível à temperatura, por isso da ingestão de produtos cozinhados acima dos 70ºC não decorre qualquer risco de contaminação para o ser humano. Aliás a contaminação por este agente infecioso ocorre por via respiratória e não digestiva e no nosso país os riscos de transmissão para os humanos são bem menores quando comparado a outros países, nomeadamente asiáticos.

Mas, e se houver um surto de gripe aviária entre nós? Mais uma vez e à semelhança de outras patologias gripais, o que há a fazer é apostar na lavagem e desinfeção regular das mãos e uso de máscara. Se se manipular alguma ave suspeita, viva ou morta, ou as suas excreções é fundamental que se usem luvas ou outro equipamento de proteção. Hoje, temos múltiplas formas de prevenção da doença para minimização dos seus efeitos na saúde pública, por isso não há razão para o “pânico social” ou para a rejeição de produtos avícolas na nossa mesa.

E para melhor tranquilização, o nosso Laboratório Nacional de Referência já assegurou que não obstante os vários focos de infeção detetados em aves (que têm sido controlados) “não se registou a passagem do vírus influenza H5N1 ao homem” em Portugal.

Mantenhamo-nos então tranquilos. Mas em alerta, claro.

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