Groupama: “Passamos a ser a única marca forte e generalista de origem francesa”

João Quintanilha, administrador delegado da Groupama, diz que a saída (anunciada) da AXA do mercado significa responsabilidade acrescida para a sua seguradora, mas pode ser também uma oportunidade. O gestor assinala uma vaga recente de entrada de franceses em Portugal, para os quais a Gruopama lançou um portal específico. A Groupama, sendo uma participada de […]


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João Quintanilha, administrador delegado da Groupama, diz que a saída (anunciada) da AXA do mercado significa responsabilidade acrescida para a sua seguradora, mas pode ser também uma oportunidade. O gestor assinala uma vaga recente de entrada de franceses em Portugal, para os quais a Gruopama lançou um portal específico.

A Groupama, sendo uma participada de uma grande multinacional francesa, que nível de independência tem em termos de criação de produtos?  

Como parte de uma grande empresa internacional, as filiais da Groupama beneficiam de uma política de partilha de informações entre a sede e as filiais, e interagimos também entre as filiais. Partilhamos inovações, novos produtos, novas tendências assim como apoio técnico e atuarial. É certo que, por força da implementação da Solvência 2, aumentaram o controlo e o acompanhamento por parte da sede. No entanto, temos bastante autonomia e independência para desenvolver produtos e serviços adaptados à realidade de cada país.

Que estratégia tem a seguradora em Portugal? Há relações privilegiadas com as empresas francesas que trabalham no nosso país?

Estamos numa fase de crescimento, aproveitando uma evolução positiva do mercado, consequência da retoma da economia. A Groupama tem, em Portugal, uma grande tradição de ligação ao mundo empresarial, sobretudo na área dos Employee Benefits. Temos em carteira um número significativo de empresas francesas, mas nem por isso representam o maior peso em termos de origem da sede dos nossos clientes empresariais. De facto, temos uma grande carteira de clientes multinacionais de todas as nacionalidades, e também franceses.

Quais os produtos-estrela da Groupama no mercado nacional?

Os produtos estrela foram sempre os seguros de grupo, Vida, Saúde e Reforma (employee benefits). No entanto, tentamos inovar e lançar novos produtos, sobretudo na área de particulares onde também temos uma cada vez maior presença. Assim, recentemente, lançámos uma nova versão do nosso seguro de saúde individual e estamos, neste momento, a lançar um novo seguro de Saúde SENIOR para responder a uma necessidade do mercado português (ainda não resolvida) e cada vez mais evidente no nosso país.

Com a anunciada saída da AXA do mercado nacional, a Groupama assume-se como a grande representante da indústria de seguros franceses em Portugal?

De facto, a partir do momento em que a AXA se retire do mercado português, passamos a ser a única marca forte e generalista de origem francesa a operar no mercado português. É uma responsabilidade acrescida e pensamos que pode ser também, sem dúvida, uma oportunidade de crescimento. A nossa participação em todos os eventos franceses, nalguns casos como sponsors (Festa do Cinema Francês), noutros casos como fiéis participantes (Troféus CCILF) é o sinal claro do nosso interesse. Aliás, há dezenas de anos que participamos nos órgãos sociais da CCILF e, mais recentemente, na Alliance Française. São só alguns exemplos da nossa presença e intervenção no plano de comunidade franco-portuguesa.

A venda da participada espanhola afetou ou alterou de alguma forma a estratégia em Portugal e as relações com a casa-mãe?

Afetou a estratégia na medida em que prevíamos fazer muita coisa com os nossos colegas espanhóis, o que deixou de ser possível. Em relação à casa-mãe, não se alterou a estratégia e a prova é que continuamos com um plano de crescimento e desenvolvimento significativo para os próximos anos.

O ambiente em Portugal é propício para o crescimento das empresas francesas? Quais os setores com maior potencial de desenvolvimento entre nós?

O ambiente tem sido propício e não há dúvida de que, recentemente, houve, em Portugal, alguns investimentos franceses muito significativos. As relações comercias entre os dois países são, desde sempre, muito importantes e estáveis, o que facilita as decisões de investimento nos dois sentidos. A dinâmica da CCILF é um bom exemplo dessa atividade e constatamos que todos os setores de atividade estão representados (indústria, serviços, banca, etc…).

Sente que a presença francesa em Portugal está a recuperar?

Tem-se assistido, recentemente, a uma vaga de entrada de franceses em Portugal, sendo certo que nem todos são reformados, havendo uma parte que quer fazer negócio no nosso país. Portanto, para além dos grandes investimentos em grandes operações já referidas, há também um grande número de pequenas empresas em criação, pela mão dessa comunidade francesa agora instalada em Portugal.

O aumento de famílias francesas em Portugal já se refletiu nos negócios da Groupama?

Em consequência da importância desse facto, decidimos lançar um portal dedicado a essa população: www.portugalassurance.com. Temos, neste momento, uma equipa de colaboradores e agentes perfeitamente habilitados para dialogar em francês com estes novos clientes, que estão a surgir em grande quantidade e procuram soluções de seguros que lhes apresentamos nesse portal.

A pensar nesta comunidade, acabámos de lançar um produto saúde sénior com toda a documentação em francês, que é, sem dúvida, um produto inovador no nosso mercado e com opções bem adaptadas a esta população.

A imagem da Groupama a nível internacional está muito ligada ao mar e aos desportos náuticos. Essa é uma imagem que encaixa bem em Portugal?

Sem dúvida que sim, dada a nossa enorme tradição marítima e dado o interesse cada vez maior pelos desportos náuticos em Portugal. Neste momento, estamos a participar com a tripulação de Franck Cammas, o skipper que levou a Groupama à vitória na volta ao mundo em 2012, na Volvo Ocean Race, na regata internacional Coupe de l’America, regata essa com uma visibilidade internacional enorme.

Uma especial atenção ao facto de ser a primeira vez que uma equipa francesa participa, pelo que as expectativas são altas. A nível nacional, sempre estivemos relacionados com os desportos marítimos, para seguir a filosofia do Grupo. Patrocinamos um veleiro com 16 metros, chamado Ventosga, com as cores da nossa marca, verde, laranja, branco. Anualmente, participamos em mais de uma dúzia de regatas, sendo que, este ano, já obtivemos quatro pódios a nível nacional.

Qual o volume de prémios da empresa em Portugal em 2014? Quais os ramos de maior volume e quais as previsões para 2015?

Fechámos o ano de 2014 com um volume de prémios de 58,2 milhões de euros. Este ano, estamos num fase de crescimento significativo, nomeadamente no ramo automóvel (mais de 20% de crescimento), saúde com +15% e uma forte evolução em Vida. Pensamos acabar o ano com um crescimento bem acima da média do mercado e um valor total de prémios superior a 100 milhões de euros.

 

A crise económica por que o país passou e a atual crise política tem influência, ou não, nas decisões da Groupama em termos de novas apostas para a inovação e crescimento?

Sejam quais forem as dificuldades do contexto politico e macro económico, a Groupama não desiste de evoluir e de se adaptar o melhor possível aos mais diversos cenários. É certo que a estabilidade e a manutenção da tendência positiva de evolução dos indicadores económicos portugueses seria a melhor conjuntura para a evolução dos negócios e para o investimento em inovação. Por outro lado, é necessário lembrar que a atividade seguradora muitas vezes reage ao contrário de outros setores da atividade dadas as diferentes psicologias de aquisição e de comportamento do cliente. Em todo o caso, a atividade seguradora é muito sensível à evolução dos indicadores macroeconómicos e financeiros, pelo que, se a tendência positiva dos últimos 2 anos não se mantiver, o contexto não irá ajudar.

Por Almerinda Romeira/OJE

Esta entrevista integra a 4ª edição do Especial França, que o OJE está a publicar semanalmente.

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