Grupo Infraestruturas de Portugal passa de prejuízos a lucros de 16 milhões em 2021

Dentro do grupo o maior ativo é a Infraestruturas de Portugal que depois de em 2020 ter tido prejuízos de 56 milhões, voltou a terreno positivo no ano passado, com um resultado líquido de 14 milhões de euros.

O grupo IP (Infraestruturas de Portugal) terminou o exercício de 2021 com um resultado líquido positivo de 15,9 milhões de euros, que compara com o Resultado Líquido negativo de 57,2 milhões de euros verificado em 2020, lê-se no relatório e contas publicado no site da CMVM.

O volume de negócios do grupo IP atingiu, em 2021, o montante de 1.102 milhões de euros, tendo o resultado líquido sido positivo em 16 milhões de euros, lê-se no documento. “Em 2021 realizaram-se na rede, um total de 35 milhões de comboios quilómetro (CK), sendo 84% de tráfego de passageiros e 16% relativos ao segmento de mercadorias”, avança o grupo.

“Para esta evolução tão significativa contribuiu decisivamente o aumento da circulação rodoviária, repercutida principalmente no aumento da receita com a Contribuição do Serviço Rodoviário, que cresceu cerca de 52 milhões de euros face a 2020, tendo atingido o montante de 636 milhões de euros. Este aumento foi mais evidente no segundo semestre do ano, e em particular nos últimos quatro meses, período no qual o consumo de combustíveis rodoviários se aproximou dos valores registados no período homólogo de 2019, ou seja, em período pré-pandemia”, refere José Serrano Gordo, vice presidente do grupo e presidente em exercício.

Relativamente às receitas com portagens, o aumento verificado na circulação foi contraposto pela introdução, no segundo semestre do ano, de novo regime de descontos nas AE ex-SCUT (50% nas tarifas de utilização), conforme previsto na Lei do Orçamento do Estado de 2021. A coexistência destes dois fatores, de sentido inverso, teve por consequência uma redução das receitas de portagens em cerca de 15 milhões de euros face ao ano de 2020, diz o gestor no relatório e contas

A manter-se este regime de desconto, “a IP terá em 2022 o impacto total, durante os 12 meses do ano, e portanto a redução de receita será muito mais elevada”, adianta o vice-presidente.

Apesar da variação da receita líquida com as portagens das Concessões do Estado, onde se integram as concessões ex-SCUT, não ter impacto direto ao nível dos resultados económicos, por via do modelo contabilístico inerente ao Contrato de Concessão Rodoviário, “o seu impacto é elevado em termos financeiros, com repercussão ao nível do financiamento da atividade, situação que naturalmente preocupa a IP e que obriga à existência de formas alternativas de financiamento por parte do Acionista Estado”, adianta.

As receitas com os Serviços Ferroviários atingiram 78 milhões de euros, o que representa um crescimento de cerca cinco milhões de euros face a 2020.

“Em 2021 prosseguiu-se o ambicioso Plano de Investimentos da IP, cuja execução financeira foi de cerca 278 milhões de euros, o que representa um crescimento de 36% face ao ano de 2020”, revela o responsável pelo grupo IP.

O gestor destaca o Programa Ferrovia 2020, “com uma execução financeira de cerca 196 milhões de euros em 2021, que se encontra numa  fase de pleno desenvolvimento, com obras de modernização em curso na quase totalidade da extensão da Linha da Beira Alta, na Linha do Norte, na Linha do Oeste e na Linha do Algarve, para além da construção do novo troço ferroviário entre Évora e Elvas”.

“Importa também referir, a exemplo do verificado em 2020, o facto da IP não ter alterado, por constrangimentos associados ao contexto pandémico, a programação existente para colocação no mercado de novos concursos públicos para a realização de empreitadas no âmbito do Programa Ferrovia 2020”, refere o vice-presidente do grupo.

O vice-presidente do Grupo IP realça que para além do Programa Ferrovia 2020 “foram dados passos muito relevantes, em 2021, para o desenvolvimento dos investimentos previstos para os próximos anos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e do Plano Nacional de Infraestruturas 2030, o que já permitiu inclusivamente, em 31 de março de 2022, a consignação da primeira obra inserida no PRR, a 2ª. Fase da Variante à EN14 entre Maia e Trofa, com um valor de cerca 32 milhões de euros”.

“Perspetiva-se assim o cenário de novo aumento significativo da atividade de investimento para 2022, e anos seguintes, mantendo-se a tendência de crescimento anual que se verifica, consecutivamente, desde 2016”, diz.

O Grupo IP é o maior grupo português de gestão de infraestruturas de transportes, tendo como grande objetivo a prestação de um serviço de mobilidade multimodal seguro, eficiente e sustentável. A extensão total da rede em exploração pela IP é atualmente de 15.057 km, dos quais 14.042 km em gestão direta e 1.015 km subconcessionados. As linhas e ramais da rede ferroviária nacional (em exploração e não exploradas) têm uma extensão total de 3.600 km. Parte da rede rodoviária e ferroviária Nacional encontra-se integrada na Rede Transeuropeia de Transportes.

A IP tem atualmente participação no capital social de três empresas: IP Engenharia, IP Património e IP Telecom. A IP tem ainda participação no capital social do Corredor Atlântico e da AVEP – Alta Velocidade Espanha / Portugal, entidades formadas com empresas europeias congéneres da IP e que têm por objetivo, respetivamente, fomentar a competitividade do transporte ferroviário de mercadorias e a realização de estudos preliminares dos corredores Porto-Vigo e Madrid-Lisboa-Porto.

“Ainda relativamente ao aumento previsto de atividade para os próximos anos, é fundamental o reforço e renovação do efetivo. Reforço numa perspetiva de dotar a IP dos recursos necessários ao aumento da atividade. Renovação porque é necessário assegurar a transferência de know-how para  as novas gerações, futuras lideranças, aspeto fundamental em áreas de atividade tão específicas e de elevada responsabilidade, como o são a gestão da rede ferroviária e da rede rodoviária”, alerta no relatório José Serrano Gordo.

“Após cerca de uma década sem ter possibilidade de admissões, é assim, com grande satisfação, que se regista em 2021 um total de 227 novas admissões no Grupo IP, e o aumento do efetivo em 112 trabalhadores, invertendo-se assim a tendência dos últimos anos, em que anualmente se verificou a diminuição do efetivo, tendo como principal causa as saídas por reforma”, adianta.

Dentro do Grupo o maior ativo é a Infraestruturas de Portugal que depois de em 2020 ter tido prejuízos de 56 milhões, voltou a terreno positivo no ano passado, com um resultado líquido de 14 milhões de euros, designadamente com o aumento da receita da Contribuição do Serviço Rodoviário. Já a receita de portagem recuou 5% devido as descontos introduzidos em julho.

De acordo com o comunicado à CMVM, o EBITDA aumentou 12% face a 2020, somando 497 milhões de euros. Esta evolução deveu-se essencialmente ao aumento do rendimento com as principais receitas, designadamente, da Contribuição do Serviço Rodoviário (mais 52 milhões do que em 2020) e da Tarifa de Utilização da Infraestrutura Ferroviária (mais 5 milhões).

Já a receita de portagens registou uma diminuição de 5%, equivalente a uma quebra de 15 milhões de euros, para 264,2 milhões de euros, “apesar do aumento da utilização da infraestrutura”, diz a IP que atribui a descida à “introdução nas autoestradas ex-Scut, em 1 de julho de 2021, do novo regime de descontos”, de 50% nas tarifas de portagem.

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